Líder americano descarta cessar-fogo imediato e defende posição estratégica próxima à de Moscou
Seis meses após última reunião no Salão Oval, o presidente ucraniano Volodimir Zelenski voltou nesta segunda-feira (18) à Casa Branca para se reunir com Donald Trump. Desta vez, o clima foi cordial, mas a postura do republicano deixou claro que seu alinhamento com Vladimir Putin permanece.
Logo no início do encontro, Trump disse: “Nós vamos parar essa guerra. A guerra vai acabar, esse senhor [Zelenski] quer, Vladimir Putin quer”.
O ucraniano agradeceu o gesto e brincou com o fato de estar de terno, em contraste com a roupa militar criticada por Trump em fevereiro. Também agradeceu à primeira-dama, Melania Trump, por ter entregue uma carta a Putin pedindo o fim da guerra em nome das crianças afetadas.
Apesar do tom amistoso, Trump descartou publicamente um cessar-fogo imediato, defendido por Zelenski.
“Estrategicamente pode não ser bom para os dois lados. Eu não acho que seja necessário um cessar-fogo”, disse o americano, repetindo a retórica de Moscou.
A reunião foi acompanhada de apreensão entre aliados europeus, temerosos de que Trump pressione Kiev a aceitar os termos de Putin. O próprio ucraniano queria que líderes da Alemanha, França, Itália, Finlândia, além dos chefes da Otan e da Comissão Europeia, estivessem presentes desde o início. Trump, no entanto, rejeitou.
Na véspera, o republicano já havia lançado um alerta em sua rede Truth Social dizendo que o fim da guerra depende diretamente das próximas ações do presidente da Ucrânia.
“O presidente Zelenski pode acabar a guerra com a Rússia quase imediatamente, se ele quiser, ou pode continuar a lutar. Lembre como ela começou. Não ganhará de volta a Crimeia dada por Obama (12 anos atrás, sem um tiro dado!), e SEM ENTRADA NA OTAN DA UCRÂNIA”.
O episódio lembrou a reunião de fevereiro, quando Trump acusou Zelenski de provocar a invasão russa de 2022. Desde então, o presidente americano vem oscilando entre gestos de pressão a Putin e movimentos de acomodação. A cúpula realizada na última semana no Alasca, sem menção a uma trégua, deu força a essa tendência.
Segundo o negociador Steve Witkoff, Putin acenou com a possibilidade de aceitar algum tipo de garantia de segurança para a Ucrânia após o fatiamento territorial do país, em termos semelhantes ao artigo 5 da Otan. Moscou, contudo, exige consolidar o controle sobre Donetsk e Lugansk em troca de retirar tropas de áreas menores ao norte.
