Reunião no Alasca abre caminho para encontro em Washington com líderes europeus e ucraniano
A cúpula realizada no Alasca entre Donald Trump e Vladimir Putin, na última sexta-feira (15), foi apresentada como um marco no caminho para a paz na Ucrânia. No entanto, o encontro terminou sem cessar-fogo e com mais perguntas do que respostas.
Segundo o enviado de Trump, Steve Witkoff, Moscou teria aceitado incluir garantias de segurança “robustas” em um possível acordo de paz, prevendo defesa coletiva da Ucrânia pelos EUA e pela Europa caso a Rússia tente nova invasão. Essa proposta surge como alternativa à exigência russa de que Kiev jamais integre a Otan.
O secretário de Estado Marco Rubio, que também esteve no encontro, adotou tom mais cauteloso. Em entrevista à ABC, afirmou que ainda há “grandes áreas de discordância” e que um acordo não está próximo. “Não estamos no limite de um acordo de paz, mas acredito que houve progresso”, disse.
Apesar disso, a reunião em Anchorage não produziu um acordo imediato. Pelo contrário: expôs as diferentes expectativas de Washington, Moscou e Kiev sobre como encerrar o conflito.
De acordo com análise publicada pela BBC, o saldo do encontro pode ser resumido em nos seguintes aspectos centrais:
Putin recebido como parceiro – O presidente russo foi tratado com tapete vermelho e até pegou carona na limusine de Trump, num gesto simbólico que reforçou a reaproximação entre os dois países.
Questionamentos inéditos à Putin – Pela primeira vez em anos, o líder russo ouviu perguntas hostis da imprensa ocidental, como sobre ataques contra civis, embora tenha reagido com indiferença.
Trump contido e vago – O presidente americano não anunciou novas sanções nem apresentou medidas concretas, embora tenha falado em “grande progresso”.
Ausência de cessar-fogo – A Rússia insistiu em demandas consideradas inaceitáveis por Kiev, como reconhecimento da soberania russa sobre a Crimeia e outras regiões ocupadas.
A próróxima etapa agora é o encontro em Washington – Putin deixou a porta aberta para novo encontro em Moscou, mas o foco imediato está na reunião que Trump terá com Zelensky e líderes europeus.
A pressão sobre Zelensky
Enquanto Putin ganhou visibilidade e projeção, Trump aumentou a pressão sobre o presidente ucraniano. Em sua rede Truth Social, afirmou que Zelensky “pode encerrar a guerra quase imediatamente, se quiser, ou pode continuar lutando”, defendendo que Kiev ceda a Crimeia e desista de ingressar na Otan — exigências também feitas por Moscou.
Zelensky, por sua vez, rejeitou qualquer concessão territorial e afirmou que a Constituição da Ucrânia não permite abrir mão de regiões ocupadas. Em Bruxelas, disse que aceita negociar “a partir da linha de frente atual”, mas pediu apoio europeu e americano para resistir à pressão russa.
Nesta segunda-feira (18), Trump se reunirá na Casa Branca com Volodymyr Zelensky e, em seguida, com os principais líderes europeus.
Entre os confirmados estão o chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente francês Emmanuel Macron, o premiê britânico Keir Starmer, a premiê italiana Giorgia Meloni, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, o presidente da Finlândia Alexander Stubb e o secretário-geral da Otan Mark Rutte.
O objetivo é definir que tipo de garantias de segurança os EUA e a Europa estão dispostos a oferecer à Ucrânia e se haverá espaço para um acordo de paz que não signifique rendição de Kiev.
Europa endurece posição
Após a cúpula do Alasca, a União Europeia divulgou comunicado afirmando que manterá a pressão sobre Moscou e está pronta para novas sanções. A nota ressaltou que “nenhuma decisão pode ser tomada sem a participação da Ucrânia” e prometeu “solidariedade inabalável” com Kiev.
Zelensky reforçou que a Ucrânia não aceitará negociações sem participação direta e defendeu novas medidas contra Moscou caso Putin tente evitar um “fim honesto” para a guerra.
Por enquanto a guerra segue ativa. Na última noite, ataques russos com mísseis e drones atingiram Kharkiv, segunda maior cidade da Ucrânia, deixando pelo ao menos nove mortos, entre eles duas crianças, e vinte feridos, de acordo com autoridades locais.
