Filipe Barros diz que Lula é responsável por isolar o Brasil e provocar Trump
O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto movimentou o Congresso Nacional. Enquanto deputados e senadores da oposição agradeceram abertamente o republicano, aliados de Lula classificaram a medida como um ataque à soberania nacional e uma ação articulada pela direita brasileira.
A decisão de Trump foi anunciada em carta pública endereçada a Lula, na qual o presidente norte-americano denuncia o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como “uma caça às bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE”.
O gesto foi interpretado por aliados de Bolsonaro como um sinal claro de apoio e um recado ao STF, que julga o caso da suposta trama golpista.
“Obrigado pelo seu apoio, Trump. Nosso grande presidente Jair Bolsonaro sofre uma verdadeira perseguição por parte de um regime comunista”, escreveu o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) em suas redes sociais.
Para parlamentares do PL, a medida expõe o isolamento diplomático do governo Lula e reforça a imagem de Bolsonaro como vítima de um sistema judicial aparelhado.
“O vira-lata está no Palácio do Planalto”, disse Barros, acusando o presidente de submissão às ditaduras comunistas e de provocar Trump ao apoiar a esquerda americana.
Do outro lado, parlamentares governistas demonstraram indignação. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), classificou a medida como “um ataque tão grande à soberania do Brasil” e afirmou que ela foi “articulada pela extrema direita e bolsonarista”.
O deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL) chamou a tarifa de “insanidade” e questionou os rumos da diplomacia entre os dois países: “Um país que não cobra nada dos produtos deles, e vem uma decisão dessa?”
Guilherme Boulos (PSOL) também ironizou o silêncio da oposição sobre o impacto da medida. Segundo ele, “o estado mais industrializado do Brasil e que poderá perder mais empregos é São Paulo”, e publicou uma imagem do governador Tarcísio de Freitas usando um boné com o slogan de Trump, “Make America Great Again”.
O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que a medida não atinge um governo, mas o país como um todo.
“Nossa soberania não é negociável. A decisão deplorável de Trump, de quem Bolsonaro lambe as botas, é contra o Brasil. Enquanto o bolsonarismo ri e aplaude de boné MAGA, trabalharemos para reverter esse ato insano.”
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) explicou no X que a sanção econômica de Trump está ligada à condução do governo Lula em diversos assuntos que acabam prejudicando diretamente o próprio país e também os Estados Unidos.
“Pra resumir: Trump enviou uma carta dizendo que a sanção econômica se dá por conta da perseguição ao Bolsonaro e a supressão da liberdade de expressão pelo STF. Ou seja: basta Lula ter diplomacia, parar de perseguir e o STF ficar no seu lugar, que a taxa não incidirá mais no Brasil. Se duvida, leia a carta e depois volte aqui”.
Já o senador Carlos Portinho (PL-RJ) reforçou que o governo está apenas colhendo os frutos de sua própria política externa.
“É triste que esteja nos levando à venezuelização. […] O governo Lula está destruindo o país e nossas boas relações internacionais ao se aliar a ditaduras e ao terrorismo.”
O senador Flávio Bolsonaro culpou o “anti-patriotismo” de Lula como a principal questão das novas tarifas dos Estados Unidos.
“Parabéns lula, você conseguiu ferrar o Brasil! Você está com raiva dos brasileiros? Seu anti-patriotismo não tem limites! Depois de tantas ações provocando a maior democracia do mundo, tá aí o resultado do vexame da sua política internacional ideologizada”.
A decisão da Casa Branca, que eleva as taxas de importação para além dos 10% já vigentes, foi a mais severa da nova leva de tarifas anunciada por Trump nesta semana.
