Medidas atinge Lukoil e Rosneft e marca mudança na postura dos EUA sobre a guerra da Ucrânia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs na última noite (22) as primeiras sanções de seu segundo mandato contra a Rússia, em resposta à guerra contra a Ucrânia. As medidas atingem as petrolíferas Lukoil e Rosneft — as maiores do país — e refletem o crescente descontentamento da Casa Branca com o presidente Vladimir Putin.
De acordo com o Tesouro norte-americano, os bens e interesses dessas empresas em território dos EUA estão bloqueados e devem ser comunicados ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). As sanções também proíbem qualquer transação envolvendo as companhias e suas subsidiárias, com risco de punições secundárias a quem descumprir as restrições.
“O Tesouro está sancionando as duas maiores empresas de petróleo da Rússia, que financiam a máquina de guerra do Kremlin”, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Ele pediu que Moscou aceite “imediatamente um cessar-fogo”.
A decisão de Trump coincide com o 19º pacote de sanções da União Europeia contra Moscou, que inclui a proibição de importações de gás natural liquefeito russo. O Reino Unido já havia sancionado as mesmas petrolíferas na semana passada.
Os preços do petróleo subiram mais de US$ 2 por barril após o anúncio das medidas, com o Brent chegando a cerca de US$ 64.
As sanções representam uma mudança na política do republicano, que até então evitava restrições diretas a Moscou, preferindo medidas comerciais. No início do ano, Trump aplicou tarifas de 25% sobre produtos da Índia em retaliação à compra de petróleo russo com desconto.
O presidente informou que cancelou uma cúpula prevista na Hungria com Putin e declarou esperar que as sanções “não precisem permanecer por muito tempo”.
Analistas ouvidos pela imprensa norte-americana disseram que a medida é um passo importante, mas que deve ser seguida por novas ações para ter impacto real sobre Moscou.
A decisão dos EUA ocorre em paralelo ao novo pacote de sanções da União Europeia, que amplia restrições a diplomatas russos e inclui 117 novos navios ligados à frota de transporte de petróleo de Moscou. A proibição total de gás natural liquefeito russo entrará em vigor gradualmente até 2027.
