O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vetou um plano de Israel para assassinar o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, segundo fontes do governo ouvidas pela agência Reuters neste domingo. Trump segue em contato direto com o premiê Benjamin Netanyahu desde o início da ofensiva israelense. Segundo as autoridades, o republicano avaliou que não haveria justificativa para atacar a liderança iraniana sem que houvesse mortes de americanos.
“Os iranianos já mataram algum americano? Não. Até que isso aconteça, nem cogitamos atacar a liderança política deles”, disse uma das fontes do governo americano.
De acordo com os relatos, Israel informou a Washington que havia uma chance concreta de eliminar Khamenei, mas a operação foi barrada. As fontes não confirmaram se Trump deu a ordem diretamente, mas garantem que ele acompanha de perto os desdobramentos com Netanyahu.
Na sexta-feira, Trump disse que os EUA estavam cientes das ações de Israel e pediu ao Irã que retomasse as negociações nucleares “antes que seja tarde demais”. Teerã respondeu classificando os ataques como ato de guerra e suspendeu os diálogos. Neste domingo, Trump voltou a se manifestar: “O Irã e Israel devem fazer um acordo, e farão um acordo”, escreveu em sua rede Truth Social.
Questionado sobre o plano israelense durante entrevista à Fox News, Netanyahu evitou responder: “Há muitas reportagens falsas sobre conversas que nunca aconteceram, e eu não vou comentar isso”, disse. Ele afirmou que o Irã possui material suficiente para fabricar nove bombas nucleares e que planejava distribuir esse arsenal a aliados, como os houthis no Iêmen. “Não teremos um segundo holocausto, um holocausto nuclear”, declarou.
Com os ataques em andamento, a União Europeia convocou uma reunião emergencial para terça-feira, com os chanceleres do bloco discutindo possíveis medidas para conter a escalada.
Conflito avança no Oriente Médio
Neste domingo, Irã e Israel voltaram a trocar ataques. O Irã lançou mísseis contra alvos israelenses, matando 11 pessoas e elevando o total de mortos no país para 14. Israel respondeu com bombardeios em Teerã, atingindo depósitos, instalações militares e centros ligados ao programa nuclear. O Ministério da Saúde iraniano informou que 224 pessoas morreram e mais de 1.200 ficaram feridas desde o início da ofensiva. A maioria das vítimas seriam civis.
A Força Aérea de Israel relatou ter atingido mais de 80 alvos em Teerã nas últimas 24 horas. Ao todo, desde o início da operação, 720 instalações militares foram bombardeadas. As Forças de Defesa de Israel informaram que a sede do Ministério da Defesa iraniano e um centro de comando vinculado ao programa nuclear estavam entre os alvos.
Durante os ataques, Israel alertou sua população para buscar abrigos. As sirenes soaram em diversas cidades, inclusive na capital. Jordânia e Síria fecharam seus espaços aéreos. O Exército iraniano afirmou que lançou “centenas de mísseis balísticos” contra “infraestruturas vitais” de Israel, incluindo a refinaria de Haifa. Em nota, declarou estar desmantelando “a capacidade do regime sionista de cometer genocídio”.
Civis relatam medo e destruição
Em Israel, mísseis atingiram prédios residenciais no norte do país, matando cinco pessoas em Haifa. Equipes de resgate informaram que mais de 390 pessoas ficaram feridas nas últimas 24 horas. Em Bat Yam, nos arredores de Tel Aviv, uma casa foi destruída. Seis pessoas morreram, entre elas duas crianças.
No Irã, explosões foram registradas em Teerã e na cidade sagrada de Mashhad. O Exército israelense afirmou ter destruído uma das principais instalações de enriquecimento de urânio do Irã e sugeriu que o chefe da inteligência iraniana foi morto.
Moradores dos dois países relataram cenas de destruição e insegurança. Em Teerã, explosões iluminaram a cidade. “Jamais imaginei presenciar uma cena assim na minha cidade”, disse Behzed, de 40 anos. Outro morador, Ali, tenta proteger os filhos da realidade da guerra. “Ainda temos esperança de que tudo passe logo”, afirmou, apesar do cancelamento das negociações entre Irã e EUA previstas para este fim de semana.
