Transparência chama de “extremamente grave” viagem Toffoli
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Transparência Internacional classifica como “extremamente grave” viagem de Toffoli com advogado do Banco Master

Toffoli afirma que prisão de Fabiano Zettel é essencial para investigação do Banco Master e cobra explicações da PF.
Toffoli afirma que prisão de Fabiano Zettel é essencial para investigação do Banco Master e cobra explicações da PF.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Ministro viajou em jato particular dias antes de impor sigilo máximo ao processo envolvendo Daniel Vorcaro

A Transparência Internacional classificou como “extremamente grave” a viagem do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, a Lima, no Peru, na companhia do advogado de um dos presos por envolvimento no caso do Banco Master. A informação foi revelada pelo jornal O Globo. O deslocamento teria sido feito em um jato particular para a final da Copa Libertadores.

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A viagem ocorreu dias antes de Toffoli decretar sigilo máximo no processo que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master. Para a entidade, a situação caracteriza atuação de “lobby judicial” e afeta a credibilidade da Justiça.

“O lobby judicial se tornou uma pandemia no Brasil e os maiores responsáveis são juízes do STF, que se regalam de favores escusos e desmoralizam a Justiça”, afirmou a Transparência Internacional em nota.

O sigilo foi determinado a pedido da defesa de Vorcaro, que chegou a ficar dez dias preso. Após a decisão, informações que estavam disponíveis no site do STF foram retiradas, restringindo o acesso público à tramitação do caso.

“Autoproclamados defensores da democracia, ministros nutrem o autoritarismo ao destruírem a credibilidade do tribunal constitucional brasileiro”, acrescentou a entidade.

A ONG solicitou que o presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Edson Fachin, avalie o caso por meio do Observatório da Transparência e Integridade no Poder Judiciário.

“É fundamental que este Observatório observe os exemplos nefastos que vêm de cima – e os coíba”, diz a nota.

Após decretar o sigilo, Toffoli também determinou que novas diligências e medidas na investigação do Banco Master só possam ser realizadas com autorização prévia da Corte. A justificativa apresentada é a suspeita de envolvimento de pessoas com foro privilegiado.

Na semana anterior, a Transparência Internacional já havia classificado como “extremamente grave” a ampliação do sigilo e cobrado, no mínimo, a divulgação do despacho que fundamentou a decisão. “Caso contrário, trata-se de patente violação do princípio constitucional da publicidade dos atos processuais”, afirmou a entidade.

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