A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora da CPI das Bets, e o senador Eduardo Girão (Novo-CE) trocaram acusações durante sessão acalorada nesta quarta-feira (21). O conflito surgiu após Girão pedir a convocação do lobista Silvio Assis, suspeito de chantagear empresários do setor de apostas, para depor na comissão.
“Peço ao presidente [Dr. Hiran, PP-RR] que coloque em votação pelo menos o requerimento para ouvir Silvio Assis, que deseja comparecer. É essencial para buscar a verdade e passar o Brasil a limpo”, afirmou Girão, destacando a importância do depoimento. Soraya rebateu, classificando as falas como “fofocas” e parte de um “movimento orquestrado” para desviar o foco da CPI.
“Sei de onde vêm os tiros contra mim, mas não falarei nomes sem provas. Não tenho medo, tenho informação”, declarou. A senadora autorizou a quebra de seus sigilos fiscal, bancário e telemático e solicitou acareação entre os envolvidos.
Sinal de alerta
Reportagem da Veja revelou em 2024 que assessores do gabinete de Soraya têm laços familiares com Assis. Silvia Barbosa de Assis, irmã do lobista, atua como assistente parlamentar desde 2023, com salário de R$ 7.200. David Vinícius Oruê de Oliveira, genro de Assis, foi contratado em abril de 2025 como auxiliar parlamentar, recebendo R$ 14 mil mensais. Assis enfrenta suspeitas de exigir R$ 40 milhões de um empresário do setor de apostas para evitar sua convocação à CPI. As denúncias, já sob investigação da Polícia Federal, foram encaminhadas à presidência do Senado.
Sinal de sujeira
O lobista, preso em 2018 por suposto envolvimento em esquema de corrupção no Ministério do Trabalho, nega as acusações atuais. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), vice-presidente da CPI, pediu à PGR que apure o caso.
