Testemunha-chave do caso Odebrecht no Peru é encontrada morta - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Testemunha-chave do caso Odebrecht no Peru é encontrada morta

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Ex-gerente municipal de Lima José Miguel Castro (foto) foi encontrado morto neste domingo (29) em sua residência no bairro de Miraflores, em Lima, capital do Peru. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (30) pelo Ministério Público do país. Ele estava em prisão domiciliar e era uma das principais testemunhas no processo de corrupção que envolve a ex-prefeita de Lima Susana Villarán, o consórcio Odebrecht-OAS e repasses milionários para campanhas políticas.

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A causa da morte ainda não foi oficialmente divulgada. O caso ocorre a menos de três meses do início do julgamento, marcado para 23 de setembro, e lança dúvidas sobre a continuidade da ação penal.

Imagem: O ex-gerente municipal de Lima, José Miguel Castro que foi encontrado morto no último domingo

Castro era apontado pelo Ministério Público peruano como número dois na hierarquia da organização criminosa liderada por Villarán.

“Ele era a segunda pessoa mais importante atrás de Villarán. Contávamos com a sua preciosa contribuição para o julgamento”, declarou o procurador anticorrupção José Domingo Pérez, um dos principais nomes da força-tarefa que investiga o esquema de corrupção transnacional.

Esquema de propinas

Villarán é acusada de receber mais de US$ 10 milhões em propina da Odebrecht e da OAS, com o objetivo de financiar ilegalmente sua campanha contra o processo de revogação que enfrentou em 2013. Ela admitiu, em 2019, que parte dos recursos foi utilizada para permanecer no cargo, mas negou enriquecimento pessoal.

Segundo o ex-diretor da Odebrecht no Peru Jorge Barata, os pagamentos visavam garantir a continuidade de contratos milionários firmados durante sua gestão na prefeitura de Lima, incluindo obras do sistema viário da capital.

O Peru foi um dos países mais afetados pelo esquema de corrupção da empreiteira brasileira. A Odebrecht admitiu o pagamento de US$ 29 milhões em propinas no país entre 2005 e 2014. As revelações resultaram em prisões e processos contra quatro ex-presidentes peruanos: Alejandro Toledo, Ollanta Humala, Pedro Pablo Kuczynski e Alan García, que cometeu suicídio em 2019 ao ser alvo de um mandado de prisão.

Impacto internacional

O caso de José Miguel Castro reacende a atenção sobre os desdobramentos da Operação Lava Jato fora do Brasil. A Odebrecht, que chegou a ser uma das maiores empreiteiras da América Latina, reconheceu o pagamento de US$ 788 milhões em subornos em ao menos dez países, incluindo Brasil, Peru, Argentina, Colômbia, México e República Dominicana.

No Peru, as investigações conduziram a cooperações firmadas com executivos da construtora e acordos de leniência que permitiram detalhar a atuação de políticos e empresários na estruturação de contratos fraudulentos com o setor público.

A morte de Castro pode afetar diretamente a robustez das provas no processo contra Villarán e outros investigados, além de levantar suspeitas em torno da segurança de testemunhas em casos de corrupção de alto escalão na América Latina.

Lula abriga condenada em caso

O governo Lula concendeu o asilo diplomático à ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, e o uso de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportá-la ao Brasil. Condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro e propina da Odebrecht, Nadine chegou ao Brasil em abril, um dia após a sentença, acompanhada do filho menor.

Heredia se refugiou na embaixada brasileira em Lima, enquanto seu marido, o ex-presidente Ollanta Humala, foi preso. Na época, o governo Lula suspendeu oficialmente a cooperação jurídica com o Peru em casos ligados à Lava Jato envolvendo a antiga Odebrecht.

O governo Lula ainda manteve sob sigilo os documentos relacionados ao asilo concedido à ex-primeira-dama. “O Ministério da Justiça do Lula e associados invocou sigilo jurídico e alegou que tornar as informações públicas poderia comprometer as relações diplomáticas.

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