Taxa de 136% do CDI levou Tesouro a recusar oferta
O Tesouro Nacional rejeitou a proposta de bancos para emprestar R$ 20 bilhões aos Correios. A equipe econômica achou “excessiva” a taxa de 136% do CDI oferecida, mesmo sendo um empréstimo garantido pela União.
O Comitê de Garantias do Tesouro estabelece 120% do CDI como teto para operações com garantia federal — o mesmo limite para Estados e municípios. Com a Selic a 15%, isso coloca o custo do crédito perto de 18% ao ano.
A taxa sugerida pelos bancos — Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra — levaria esse juro para 20,4% ao ano.
A recusa trava, por enquanto, o plano de reestruturação dos Correios, que considera o empréstimo essencial para atravessar a crise financeira. De janeiro a setembro, a estatal acumulou prejuízo de R$ 6,05 bilhões e prevê fechar 2025 com rombo próximo de R$ 10 bilhões.
O plano interno para usar os R$ 20 bilhões inclui pagar fornecedores atrasados, quitar dívidas, lançar um novo programa de desligamento voluntário e investir para tentar recuperar competitividade no mercado de encomendas.
O agravamento da crise levou à saída de Fabiano Silva da presidência da estatal em julho. Ele atribuiu parte da queda de receitas à “taxa das blusinhas”, cobrada em compras internacionais de até US$ 50. O comando dos Correios passou para Emmanoel Schmidt Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil, que tenta organizar as contas antes de ampliar o quadro de pessoal aprovado em concurso.
Com a decisão do Tesouro, agora os Correios precisam apresentar uma contraproposta aos bancos e ver se as instituições topam os novos termos definidos pelo governo.
O Ministério da Fazenda alega que, por ter garantia da União, o empréstimo é considerado de “risco zero”.
