Técnicos do TCU recomendam rejeitar pedido que pode reabrir brecha para supersalários
Brasília, Quarta, 17 de junho de 2026
Justiça

Técnicos do TCU recomendam rejeitar pedido que pode reabrir brecha para supersalários

Proposta de sindicato tenta excluir gratificações do teto constitucional, mas auditores alertam para risco bilionário

TCU
Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

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Por Redação

Uma área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) se posicionou contra um pedido que pode permitir a volta de supersalários no serviço público. Em parecer interno, auditores recomendam que o tribunal rejeite a proposta apresentada por um sindicato que representa servidores do Congresso e da própria Corte. As informações são do portal UOL.

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A solicitação, protocolada sob sigilo pelo Sindilegis, propõe retirar do cálculo do teto constitucional — hoje em R$ 46 mil mensais — as gratificações recebidas por ocupação de cargos de chefia e funções comissionadas. Na prática, a mudança abriria espaço para que remunerações ultrapassem esse limite.

No relatório, os técnicos ressaltam que o próprio TCU já barrou iniciativas semelhantes no passado, em decisões tomadas entre 2011 e 2013. Para eles, retomar esse modelo pode gerar distorções no sistema remuneratório e pressionar as contas públicas.

O parecer também levanta dúvidas sobre a legitimidade do sindicato para apresentar esse tipo de demanda e cita precedentes que tiveram impacto relevante no orçamento. Embora não haja cálculo oficial atualizado, estimativas antigas indicam que a medida pode gerar despesas bilionárias.

Ao justificar a recomendação, os auditores afirmam que “a experiência recente demonstra que iniciativas destinadas a contornar as limitações impostas pelo teto tendem a fragilizar a coerência do sistema remuneratório”. Em outro trecho, destacam que “a remuneração decorrente do exercício de função de confiança ou cargo em comissão submete-se integralmente ao teto remuneratório constitucional”.

O pedido foi apresentado após reajustes salariais concedidos a servidores do Congresso, que, em alguns casos, passaram a ter os ganhos limitados pelo teto. Na representação, o sindicato argumenta que a regra atual pode gerar situações de “trabalho gratuito” e “enriquecimento sem causa da Administração”, pontos que foram rebatidos pela área técnica.

O processo está sob relatoria do ministro Walton Alencar Rodrigues e deve ser analisado pelo plenário da Corte nas próximas semanas. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a data do julgamento.

A discussão ocorre em meio a um histórico de disputas sobre o teto do funcionalismo. Nos últimos anos, diferentes categorias têm buscado alternativas para ampliar rendimentos por meio de benefícios e verbas adicionais, muitas vezes questionados por órgãos de controle.

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