O Ministério Público (MP) pediu que o Tribunal de Contas da União (TCU) apure a tramitação de propostas consideradas de alto impacto fiscal no Congresso Nacional. O pedido foi protocolado nesta quinta-feira (11) e mira o avanço recente de projetos com potencial de aumento expressivo das despesas públicas.
A representação, assinada pelo subprocurador-geral Lucas Furtado, solicita que a Corte acompanhe o que descreve como uma “tramitação acelerada, no âmbito do Congresso Nacional, de proposições legislativas com elevado potencial de impacto orçamentário-financeiro, econômico e social, em contexto reconhecidamente marcado por intensificação do debate eleitoral e por evidente disputa de agendas políticas com apelo popular imediato”.
O movimento ocorre após a aprovação de medidas pelo Senado que incluem a renegociação de dívidas de produtores rurais, a criação de piso salarial para médicos e cirurgiões-dentistas e mudanças nas regras de aposentadoria de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. Segundo estimativas citadas em debates recentes, o conjunto dessas propostas pode gerar impacto bilionário nas contas públicas.
No documento, o subprocurador afirma que a atividade legislativa é legítima, mas não está isenta de regras fiscais. Ele escreve que “embora a atividade legislativa se insira na esfera de competência constitucional do Congresso Nacional e seja, por definição, permeada por escolhas políticas legítimas, tal circunstância não exonera o processo legislativo do dever de observância dos princípios da responsabilidade fiscal, da transparência, da motivação pública, da racionalidade decisória e da proteção ao equilíbrio das finanças públicas”.
Furtado também ressalta que a Constituição exige planejamento e indicação de fontes de custeio para novas despesas. Em outro trecho, afirma que “a ordem constitucional brasileira não admite a expansão do gasto público, a criação de novas obrigações financeiras ou a concessão de benefícios com impacto relevante sobre o Tesouro Nacional sem planejamento estatal e demonstração de viabilidade”.
A representação pede ainda que o TCU envie ofício ao presidente do Congresso Nacional para que sejam informados dados como previsão orçamentária, estimativa de impacto financeiro e eventuais medidas compensatórias relacionadas às propostas em análise. Também solicita a adoção de providências para reforçar a transparência e o cumprimento das regras fiscais.
O subprocurador argumenta que a análise preventiva do tribunal é importante em um cenário de forte disputa política e pressão por medidas de apelo popular. Para ele, a atuação do TCU não representaria interferência no Legislativo, mas sim uma “salvaguarda institucional” para preservar o equilíbrio das contas públicas.
Ele também afirma que a velocidade de tramitação de propostas com grande impacto e baixo consenso técnico pode indicar fragilidades na análise das consequências fiscais.
O TCU ainda não se manifestou sobre o pedido.
