O jornalista português Sérgio Tavares afirmou nesta segunda-feira (15) que teve uma conta bancária no Brasil bloqueada e encerrada por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Segundo ele, a conta era utilizada para receber doações destinadas à produção do documentário “O Falso Juiz 2”
O filme dá sequência a uma produção que questiona a atuação de Moraes e analisa decisões do STF relacionadas a investigações sobre desinformação, liberdade de expressão e os atos antidemocráticos investigados pela Corte..
A declaração foi feita durante entrevista à TV Auriverde. Na ocasião, Tavares relatou ter recebido uma comunicação informando o encerramento da conta e disse que os recursos arrecadados para o projeto ficaram inacessíveis.
“Alexandre de Moraes mandou bloquear e encerrar a minha conta no Brasil, onde eu recebia todo o Pix para a produção do filme. Tudo aquilo que foi arrecadado para a produção está perdido por enquanto. Não tenho acesso às contas”, afirmou.
De acordo com o jornalista, a conta estava vinculada ao recebimento de contribuições de apoiadores para custear a produção do documentário. Tavares disse ter sido surpreendido pela medida e afirmou desconhecer os motivos formais para o bloqueio.
Durante a entrevista, ele associou o episódio a um confronto verbal que teve com o ministro do STF Gilmar Mendes no início deste mês, durante o Fórum Jurídico de Lisboa, realizado em Portugal. Conhecido nos bastidores como “Gilmarpalooza”, o encontro reuniu autoridades dos Três Poderes entre os dias 1º e 3 de junho.
Na ocasião, Tavares abordou Gilmar Mendes e fez críticas à atuação do magistrado em processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e demais condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O jornalista também mencionou sua prisão temporária no Brasil, ocorrida em 2024, e acusou o ministro de promover censura e perseguição política. Gilmar não respondeu aos questionamentos.
Ao comentar o bloqueio da conta, Tavares classificou a medida como uma represália e afirmou que o financiamento do documentário foi diretamente afetado.
“Neste momento, o financiamento para o filme é zero. Tudo o que estava lá ficou retido. Estou extremamente triste porque fui apanhado de surpresa”, declarou.
Apesar disso, o jornalista afirmou que pretende buscar novas formas de arrecadação para dar continuidade ao projeto e pediu que apoiadores acompanhem seus canais de comunicação enquanto procura alternativas para financiar a produção.
