Tagliaferro deixa prisão domiciliar na Itália, mas segue impedido de sair do país
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Tagliaferro deixa prisão domiciliar na Itália, mas segue impedido de sair do país

Juiz italiano entendeu que a manutenção da obrigação de residência era excessiva, mas considerou necessária a restrição de viagem para garantir a presença do acusado no país durante a análise do processo.
Juiz italiano entendeu que a manutenção da obrigação de residência era excessiva, mas considerou necessária a restrição de viagem para garantir a presença do acusado no país durante a análise do processo. Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Compartilhe em

Foto do autor

Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Decisão da Justiça italiana libera ex-assessor de Moraes, que ainda responde a processo de extradição

A Corte de Apelação de Catanzaro, na Itália, decidiu nesta sexta-feira (10), flexibilizar as medidas impostas contra Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alvo de um processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

O tribunal italiano revogou a obrigação de residência imposta ao brasileiro, permitindo que ele circule livremente pelo país, restrição que estava em vigor desde 30 de setembro. No entanto, a proibição de deixar o país foi mantida.

Segundo o juiz italiano Antonio Giglio, relator do caso, a decisão leva em conta o depoimento de Tagliaferro prestado recentemente à Justiça da Itália. Na audiência, o ex-assessor declarou não ter intenção de retornar voluntariamente ao Brasil. Diante disso, Giglio entendeu que a manutenção da obrigação de residência era excessiva, mas considerou necessária a restrição de viagem para garantir a presença do acusado no país durante a análise do processo.

Em nota nas redes sociais, o advogado Eduardo Kuntz, responsável pela defesa de Tagliaferro, afirmou que a medida representa um avanço importante.

“Esse é o primeiro passo para demonstrar que o processo de extradição é completamente viciado, desnecessário e visa única e exclusivamente à perseguição do senhor Tagliaferro”, afirmou.

O processo de extradição segue em análise pelas autoridades italianas, e ainda não há previsão para uma decisão final.

Tagliaferro e Moraes em disputa judicial 

Tagliaferro atuou como chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE durante a presidência de Moraes na Corte. Desde o início das investigações contra ele, foi exonerado e deixou o Brasil. Hoje, é investigado por suspeita de envolvimento no vazamento de conversas privadas entre servidores do Judiciário, inclusive do gabinete de Moraes, o que teria ocorrido no contexto da investigação contra empresários aliados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022.

Em setembro, Tagliaferro prestou depoimento à Comissão de Segurança Pública do Senado e acusou o gabinete de Alexandre de Moraes, no TSE, de adulterar datas em documentos técnicos que teriam sido usados para embasar operações de busca e apreensão contra empresários aliados Bolsonaristas, em 2022

Moraes chegou a se pronunciar, classificando as acusações como infundadas e reafirmando a legalidade dos atos praticados, com base no regimento interno do TSE e sob ciência da Procuradoria-Geral da República (PGR)

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade