Swift pode ignorar sanção de Trump ao Brasil, segundo Durigan
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Swift pode ignorar sanção de Trump ao Brasil, segundo Durigan

Fazenda pressiona por aprovação rápida do novo antitruste digital e afirma que a medida não causará tensão com Trump.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Representante da entidade afirma que sistema segue marco legal europeu

Um representante do Swift, principal sistema de integração bancária global, indicou que a entidade pode não atender a uma eventual sanção do presidente Donald Trump ao Brasil, como a suspensão do país das operações. A declaração foi feita por Hayden Allan, chefe global de Assuntos Corporativos do Swift, durante reunião com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, em Brasília.

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O encontro ocorreu em meio ao temor de que Trump imponha novas sanções financeiras ao Brasil com a proximidade do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no processo que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado. Uma das medidas cogitadas seria a suspensão do país do Swift, como já aconteceu com a Rússia.

“Tive excelente conversa com Hayden Allan, da Swift, que operacionaliza o maior sistema de integração bancária global. […] Hayden esclareceu que o Swift, sediado na Bélgica, segue o marco legal europeu e não está sujeito a sanções arbitrárias de países específicos”, afirmou Durigan em rede social.

Segundo Durigan, Allan destacou que o Swift processa transações em múltiplas moedas e vem ampliando a representatividade de países emergentes em seu conselho de administração. O Swift conecta 11,5 mil bancos em mais de 200 países e territórios.

O secretário-executivo afirmou ainda ter ressaltado ao representante do Swift que o Brasil “é um país soberano, democrático e autônomo”, que “respeita todos os países e exige reciprocidade”, e defendeu o multilateralismo e a “integração global”.

A sinalização ocorre em meio a questionamentos sobre os efeitos da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Moraes está proibido de realizar operações financeiras nos Estados Unidos, mas há dúvidas se bancos brasileiros deveriam suspender transações com ele. Embora tenham sede no Brasil, as instituições fazem parte do Swift e podem ser afetadas por ordens executivas dos EUA.

O governo norte-americano sancionou Moraes no final de julho devido à condução de processos contra Bolsonaro e aliados, considerados violação de direitos humanos. A legislação prevê bloqueio de bens e proíbe cidadãos americanos de realizar qualquer transação com os atingidos pela medida.

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