Suspeito de fraudar biometria no INSS reinicia iPhone e trava investigação
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Suspeito de fraudar biometria no INSS reinicia iPhone e trava investigação

Empresário investigado por desviar até R$ 1,4 bilhão teria usado recurso de segurança do aparelho para impedir extração de informações pela CPMI

Suspeito de fraudar biometria no INSS reinicia iPhone e trava investigação
Dirigente da Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista, Igor Dias Delecrode • Carlos Moura/Agência Senado

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Por Redação

Suspeito de desviar até R$ 1,4 bilhão do INSS ao criar programa para fraudar biometrias faciais e assinaturas digitais de aposentados, o empresário Igor Dias Delecrode utilizou recursos de segurança do próprio iPhone para dificultar a investigação conduzida pela CPMI no Congresso Nacional.

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Segundo apuração do Metrópoles, Delecrode acionou os mecanismos de segurança do aparelho logo após a comissão aprovar a apreensão do celular. O procedimento ocorreu durante a sessão.

Ao entregar o telefone, o conteúdo já estava inacessível. Relatório da Polícia Federal aponta que o empresário desligou e reiniciou o dispositivo, colocando-o no estado conhecido como “Antes do Primeiro Desbloqueio”. Nesse modo, as chaves de criptografia são descarregadas da memória, impedindo o acesso a mensagens e arquivos sem a senha. Delecrode se recusou a fornecer o código.

Imagens analisadas por peritos indicam que, após a ordem de apreensão, o investigado pressionou os botões laterais e deslizou o dedo na tela, procedimento utilizado para desligar aparelhos recentes da Apple. Minutos depois, houve a reinicialização.

O laudo registra que o iPhone 17 Pro Max foi reiniciado às 19h37 de 10 de novembro de 2025. A partir desse momento, passou a operar em modo de proteção máxima.

Peritos afirmaram que “não foi possível extrair os dados da memória interna desse dispositivo, sendo, portanto, necessário o fornecimento da senha de desbloqueio”. A Polícia do Senado apontou “plena coerência” entre o vídeo da sessão, os registros do telefone e o bloqueio identificado na perícia.

A apreensão foi aprovada em votação simbólica, a partir de requerimento do relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil). Após a decisão, o aparelho foi entregue ao presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos), e encaminhado à Polícia Legislativa.

Durante o depoimento, o advogado Levy Magno orientou o investigado a não informar a senha. A defesa alegou que a apreensão dependeria de autorização judicial e solicitou a devolução do aparelho, o que foi negado. Em fevereiro, Gaspar e Viana pediram à Justiça a prisão preventiva de Delecrode. Ele permanece solto.

Investigadores recomendaram a tentativa de recuperação de dados em nuvem e a quebra de sigilo junto à operadora Claro. Também sugeriram apuração de número internacional identificado na perícia.

A polícia apura possível atuação conjunta do empresário com a Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (Aasap), Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, Andapp e AAPEN.

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