Secretária do “Careca do INSS” nega repasses a Lulinha
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Secretária do “Careca do INSS” nega repasses a Lulinha

Ex-funcionária afirma que não comprou passagens nem entregou dinheiro ao filho do presidente

O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana, e a depoente Aline Cabral, ex-secretária do "Careca do INSS" Jefferson Rudy/Agência Senado
foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Aline Bárbara Mota, ex-secretária do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, negou nesta segunda-feira (2), durante depoimento à CPMI do INSS, ter comprado passagens ou repassado dinheiro a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

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A declaração foi dada após questionamentos do deputado Rogério Correia (PT-MG) sobre supostos pagamentos e entrega de valores.

Aline foi convocada na condição de testemunha. Ela atuou como secretária e, depois, como gerente administrativa de empresas ligadas ao “Careca do INSS”, investigado na Operação Sem Desconto, que apura supostos descontos associativos irregulares sobre benefícios previdenciários.

Durante o depoimento, foi questionada se tinha conhecimento de que os recursos recebidos teriam origem em fraude contra aposentados. “Não, eu nunca soube, nunca desconfiei. Quando ele me contratou, ele se apresentou como um empresário de sucesso, então não tinha, até então, por que eu questionar de onde vinha o dinheiro. Eu era era uma secretária e não tinha por que eu investigar a vida dele”.

O surgimento de indícios envolvendo Lulinha levou o filho do presidente a se tornar um dos focos da investigação. A Polícia Federal e a comissão apuram se ele teria atuado como sócio oculto do “Careca do INSS”.

Na semana passada, a CPMI aprovou a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva. Após a proclamação do resultado, houve tumulto na sessão, com questionamentos de parlamentares da base do governo sobre a contagem e o formato da votação.

Cadernos do Careca do INSS?

Durante seus questionamentos, Izalci Lucas mencionou cadernos apreendidos pela Polícia Federal com anotações de percentuais como “Stefa 5%” e “Virgílio 5%”, que, segundo ele, poderiam indicar divisão de valores no suposto esquema de fraudes. De acordo com o senador, as anotações fariam referência a Alessandro Stefanutto e ao ex-procurador do INSS Virgilio Filho.

Izalci lembrou ainda que Antônio Carlos Camilo Antunes teria afirmado à comissão que os cadernos eram de Aline. Questionada se tinha conhecimento desses percentuais, ela respondeu: “Eu vou ficar em silêncio”. Diante da recusa dela em responder, o senador reagiu, afirmando que “quem cala consente”. Ele fez um alerta, ressaltando que a omissão da depoente poderia prejudicá-la futuramente.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) questionou a postura da depoente diante das irregularidades investigadas. Ao mencionar os fatos já revelados pela investigação, perguntou se ela se arrependia de ter aceitado o emprego e de ter participado, mesmo que indiretamente, do esquema de fraudes apurado pela CPMI. Aline respondeu que sim.

**Com informações da Agência Senado

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