Silvinei alegava ter câncer cerebral e incapacidade para falar ou ouvir
O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, preso no aeroporto de Assunção ao tentar embarcar para El Salvador na madrugada desta quinta-feira (26), portava uma carta em espanhol, intitulada “Declaração Pessoal para Autoridades Aeroportuárias”, na qual alegava ter câncer cerebral.
No documento, Vasques afirma ter diagnóstico de Glioblastoma Multiforme – Grau IV, “doença oncológica de prognóstico grave”.
“Tenho diagnóstico de Glioblastoma Multiforme – Grau IV, câncer localizado na cabeça (cérebro), doença oncológica de prognóstico grave, razão pela qual não posso me comunicar verbalmente nem compreender instruções orais. Por esse motivo, não posso responder perguntas de forma falada. Se necessário, a comunicação pode ser realizada por escrito”, diz o trecho.
Segundo a declaração, ele estaria se deslocando para El Salvador para realizar um tratamento de radiocirurgia, após ter passado por sessões de quimioterapia e radioterapia em Foz do Iguaçu. O texto ressalta que, embora não pudesse se comunicar verbalmente, encontrava-se lúcido e em condições clínicas para viajar.
“Não obstante, encontro-me completamente lúcido(a), consciente e em condições clínicas adequadas para realizar a viagem, assim como para atender a qualquer necessidade ou requerimento das autoridades competentes, dentro de minhas limitações de comunicação verbal e auditiva.”
A carta detalha ainda seu trajeto:
“Viajo desde Assunção, Paraguai, para San Salvador, El Salvador, em voo operado pela empresa COPA Airlines, com o objetivo exclusivo de receber referido tratamento médico. Minha data de retorno ainda não está definida, pois dependerá da realização de exames médicos complementares e de uma possível internação hospitalar necessária para a realização do procedimento.”
Além da declaração, Silvinei carregava uma prescrição médica com diversos medicamentos, incluindo remédios para hipertensão, colesterol alto, depressão, insônia e HIV.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) identificou inconsistências entre o nome do médico indicado e o número de registro profissional apresentado.
A fuga começou na véspera de Natal, quando Silvinei deixou sua residência em São José, Santa Catarina, por volta das 19h22, levando um veículo alugado, sacolas, rações e tapetes higiênicos para seu cachorro da raça pitbull.
A tornozeleira eletrônica deixou de funcionar naquela noite, acionando a PF, que comunicou o caso ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que decretou a prisão preventiva.
Confira a carta:

