Sindicato vê risco de “destruição institucional” e convoca reação à gestão
O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, voltou a enfrentar resistência de servidores ao tentar impor um novo estatuto para o órgão. A proposta foi apresentada no início do mês em uma reunião virtual, sem espaço para manifestações, segundo denúncia do sindicato da categoria.
De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística, o texto foi colocado na intranet interna sem previsão de debate. “A direção do IBGE deixou explícito que não planeja abrir nenhum espaço coletivo de debate (…), mas meramente colher opiniões dos servidores pela intranet — opiniões que serão, como de costume, ignoradas pela gestão”, afirmou a entidade em reportagem da Veja.
A assembleia convocada para esta quinta-feira busca articular reação à medida. Os trabalhadores classificaram a iniciativa como tentativa de “destruição institucional” e apontaram problemas técnicos e administrativos na minuta.
Até mesmo setores internos do órgão rejeitaram a proposta. Em nota técnica, a Coordenação de Planejamento e Gestão e a Gerência de Estruturas e Modelos Organizacionais do IBGE criticaram a revisão sugerida por Pochmann.
O documento, elaborado em prazo curto, afirma que o estatuto desconsidera a experiência dos servidores, ignora requisitos legais e atropela normas institucionais. Entre os riscos listados estão o enfraquecimento do perfil técnico da direção, a centralização burocrática, a retirada de competências do órgão e a dependência tecnológica do Serpro.
O sindicato também cita inconsistências em relação a referências internacionais, como os Princípios Fundamentais das Estatísticas Oficiais da ONU.
A entidade reafirmou a defesa do IBGE como órgão de Estado, com autonomia técnica e rigor científico, e anunciou que seguirá denunciando tentativas de esvaziamento institucional.
