Servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) denunciam convocações “arbitrárias” feitas pelo governo Lula (PT) para operações de combate ao desmatamento, às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em novembro, em Belém (PA). Para os funcionários ouvidos pelo Metrópoles, a gestão petista ignora a precariedade da infraestrutura e o deficit de servidores, colocando a segurança dos agentes em risco.
A Associação dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente e do Plano Especial de Cargos do MMA na Paraíba (Asibama-PB) critica a “instrumentalização” da pauta ambiental pelo governo: “O tratamento dado à pasta é visto como ‘para inglês ver’. Nenhuma medida efetiva é tomada para fortalecer esses órgãos e suas agendas”, afirma a entidade. E acrescenta: “A pauta ambiental, tão evidente na campanha eleitoral, parece ter desaparecido ou sido maquiada após a posse da atual gestão”.
Servidores também criticam governos anteriores, apontando que Lula, Dilma e Temer promoveram “ataques velados e agrados paliativos”, enquanto Bolsonaro teria realizado “atos explícitos de desmonte e desvalorização”. Eles relatam falta de condições básicas de trabalho, como escritórios precários, viaturas antigas e sem manutenção, embarcações inseguras, equipamentos de comunicação parados e escassez de treinamentos.
“O que vemos agora é o governo, às vésperas da COP30, tentando ‘se virar nos 30’ para prestar contas à sociedade e à comunidade internacional sobre o não cumprimento de metas para controle e prevenção do desmatamento, independentemente do desmantelamento histórico dos órgãos ambientais”, denuncia a Asibama-PB.
A COP30 está prevista para ocorrer entre 10 e 21 de novembro de 2025 em Belém. O evento anual reúne líderes mundiais, cientistas, ONGs e representantes da sociedade civil para discutir medidas contra as mudanças climáticas. O Brasil, após presidir o G20 em 2024, busca protagonismo na agenda ambiental para atrair investimentos, mas enfrenta pressão internacional devido ao aumento do desmatamento e às dificuldades de fiscalização.
Na tentativa de organizar a pasta, o ICMBio implementou mudanças administrativas questionadas pelos servidores. O grupo na Paraíba enviou ofício ao presidente do instituto, Mauro Pires, apontando problemas como reestruturação de cargos sem comunicação prévia, redução do teletrabalho sem investimento em infraestrutura e a obrigatoriedade de ao menos 20 dias anuais de fiscalização.
Para cobrir o deficit de pessoal, o ICMBio desloca servidores sobrecarregados para missões de alto risco, sem treinamento ou condições adequadas. Segundo o Portal da Transparência, o instituto perdeu mais de 300 servidores desde 2016, passando de 1.875 para 1.559 em 2025. O governo abriu um concurso com 350 vagas e salários iniciais de quase R$ 9 mil, mas servidores questionam se a medida será suficiente diante do aumento das demandas.
