Senadores têm medo de negar indicações ao STF por receio de retaliação
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Senadores têm medo de negar indicações ao STF por receio de retaliação

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Alive hoje criticou a submissão do Senado nas sabatinas e disse que oposição deveria barrar nomes ligados ao governo

Nesta terça-feira (14), no programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas no YouTube, o jornalista afirmou que senadores evitam rejeitar indicações presidenciais ao Supremo Tribunal Federal (STF) por medo de retaliações.

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Dantas citou a PEC do senador Plínio Valério, que limita o mandato dos ministros, e criticou a postura do Senado diante das sabatinas. “Os senadores nem cogitam dizer não a uma indicação do presidente, porque têm medo de que, mesmo se votarem contra, o nome seja aprovado e depois sejam perseguidos pelos ministros”, disse. Ele lembrou que o então presidente do Senado, Davi Alcolumbre, segurou por meses a indicação de André Mendonça e depois se desculpou.

O jornalista também comentou a declaração do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, que considerou Rodrigo Pacheco um nome preferível a Jorge Messias. “O Rodrigo Pacheco foi deletério para o governo Bolsonaro e para todos que queriam o impeachment de Moraes. É um senador submisso ao sistema”, afirmou. Para Dantas, a oposição deveria se posicionar de forma mais dura: “Nenhum deles passará. É isso que a oposição de verdade deveria estar dizendo.”

Ele criticou ainda o discurso de Lula sobre indicar um ministro técnico. “Quem cai nessa conversa fiada dele? Lula dizia que não ia indicar amigo, mas colocou Cristiano Zanin, que foi advogado e compadre dele a vida inteira, e Flávio Dino, aliado político de longa data. O Prerrogativas aposta em todos os cavalos, qualquer um que ganhar será do grupo jurídico do PT”, declarou.

O analista político Gabriel Jubran, do Ranking dos Políticos, afirmou que há disputa entre grupos no Senado sobre o perfil da nova indicação. Segundo ele, Pacheco seria visto por parte dos parlamentares como um possível contraponto à atuação de Flávio Dino. “O ministro quer rever a impositividade das emendas parlamentares, o que devolveria ao governo o controle sobre boa parte do orçamento. Pacheco participou da construção desse modelo e entende a importância de manter a autonomia dos parlamentares”, disse.

Jubran avaliou que Lula levará em conta fatores de confiança e proteção pessoal na escolha do novo ministro. “Ele sabe que pode voltar a responder por questões passadas e precisa de aliados. Jorge Messias é o favorito, mas há outros nomes, como Vinícius de Carvalho e Bruno Dantas”, afirmou.

O advogado Leonardo Corrêa, presidente da Lexum, defendeu sabatinas rigorosas para reverter o ativismo judicial. “A corte está muito ativista. A única forma de impedir isso é uma sabatina firme, com possibilidade de negar nomes”, disse. Ele comparou o processo brasileiro ao modelo americano. “Nos Estados Unidos, o Congresso pode simplesmente não pautar uma indicação. O Senado precisa exercer essa prerrogativa.”

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