Alive hoje criticou a submissão do Senado nas sabatinas e disse que oposição deveria barrar nomes ligados ao governo
Nesta terça-feira (14), no programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas no YouTube, o jornalista afirmou que senadores evitam rejeitar indicações presidenciais ao Supremo Tribunal Federal (STF) por medo de retaliações.
Dantas citou a PEC do senador Plínio Valério, que limita o mandato dos ministros, e criticou a postura do Senado diante das sabatinas. “Os senadores nem cogitam dizer não a uma indicação do presidente, porque têm medo de que, mesmo se votarem contra, o nome seja aprovado e depois sejam perseguidos pelos ministros”, disse. Ele lembrou que o então presidente do Senado, Davi Alcolumbre, segurou por meses a indicação de André Mendonça e depois se desculpou.
O jornalista também comentou a declaração do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, que considerou Rodrigo Pacheco um nome preferível a Jorge Messias. “O Rodrigo Pacheco foi deletério para o governo Bolsonaro e para todos que queriam o impeachment de Moraes. É um senador submisso ao sistema”, afirmou. Para Dantas, a oposição deveria se posicionar de forma mais dura: “Nenhum deles passará. É isso que a oposição de verdade deveria estar dizendo.”
Ele criticou ainda o discurso de Lula sobre indicar um ministro técnico. “Quem cai nessa conversa fiada dele? Lula dizia que não ia indicar amigo, mas colocou Cristiano Zanin, que foi advogado e compadre dele a vida inteira, e Flávio Dino, aliado político de longa data. O Prerrogativas aposta em todos os cavalos, qualquer um que ganhar será do grupo jurídico do PT”, declarou.
O analista político Gabriel Jubran, do Ranking dos Políticos, afirmou que há disputa entre grupos no Senado sobre o perfil da nova indicação. Segundo ele, Pacheco seria visto por parte dos parlamentares como um possível contraponto à atuação de Flávio Dino. “O ministro quer rever a impositividade das emendas parlamentares, o que devolveria ao governo o controle sobre boa parte do orçamento. Pacheco participou da construção desse modelo e entende a importância de manter a autonomia dos parlamentares”, disse.
Jubran avaliou que Lula levará em conta fatores de confiança e proteção pessoal na escolha do novo ministro. “Ele sabe que pode voltar a responder por questões passadas e precisa de aliados. Jorge Messias é o favorito, mas há outros nomes, como Vinícius de Carvalho e Bruno Dantas”, afirmou.
O advogado Leonardo Corrêa, presidente da Lexum, defendeu sabatinas rigorosas para reverter o ativismo judicial. “A corte está muito ativista. A única forma de impedir isso é uma sabatina firme, com possibilidade de negar nomes”, disse. Ele comparou o processo brasileiro ao modelo americano. “Nos Estados Unidos, o Congresso pode simplesmente não pautar uma indicação. O Senado precisa exercer essa prerrogativa.”
