Senado inclui vicaricídio na lei penal com pena de até 40 anos
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Senado inclui vicaricídio na lei penal com pena de até 40 anos

Nova tipificação reconhece assassinato de filhos para atingir mães como crime hediondo

Plenário do Senado
Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (25) a criação do crime de vicaricídio, que passa a punir de forma específica o assassinato de filhos ou pessoas próximas com o objetivo de atingir emocionalmente mulheres. O texto agora segue para sanção do presidente Lula (PT).

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A proposta estabelece pena de 20 a 40 anos de reclusão, além de multa, e classifica o delito como hediondo — o que implica regras mais rígidas para cumprimento da pena. A medida altera o Código Penal, a Lei Maria da Penha e a legislação de crimes hediondos.

Relatora da matéria, a senadora Margareth Buzetti (PP-MT) afirmou que a criação de um tipo penal próprio corrige uma lacuna na legislação brasileira e permite respostas mais rápidas e eficazes por parte do Estado.

“São imensamente maiores os casos dos homens que machucam os filhos para ferir a mulher, isso é um fato, não tem como negar”, declarou durante a votação.

O texto define o vicaricídio como o ato de matar descendentes, ascendentes, dependentes ou pessoas sob responsabilidade direta da mulher com a finalidade de causar sofrimento, punição ou controle, no contexto de violência doméstica e familiar. A pena pode ser aumentada em até um terço em situações agravantes, como quando o crime ocorre na presença da vítima indireta, envolve crianças, idosos ou pessoas com deficiência, ou descumpre medidas protetivas.

A proposta tem origem em projeto da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) e foi modificada no Senado para transformar o chamado “homicídio vicário” em um crime autônomo. Segundo a relatora, a mudança facilita a identificação, o registro e o monitoramento estatístico desses casos, além de fortalecer políticas de prevenção.

Durante o debate, houve divergências. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) questionou a ausência de previsão explícita para situações em que mulheres cometam crimes semelhantes para atingir homens. Já o senador Cleitinho (Republicanos-MG) votou contra a proposta.

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