Comissão de Segurança aprova audiência sobre gabinete paralelo de Moraes - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Comissão de Segurança aprova audiência sobre gabinete paralelo de Moraes

Eduardo Girão reúne assinaturas e formaliza pedido de CPI do Banco Master no Senado
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

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Por Adrian Almeida

A Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado aprovou agora há pouco requerimentos do senador Eduardo Girão (Novo-CE) para a realização de audiências públicas sobre segurança institucional e transparência na Justiça. As datas ainda serão definidas.

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Um dos requerimentos trata do vazamento de um áudio de Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No áudio, Tagliaferro manifestaria temor devido a ameaças.

Segundo Girão, há suspeitas de que o gabinete do ministro Alexandre de Moraes teria solicitado ao TSE relatórios extraoficiais para embasar medidas criminais contra apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador afirma que Tagliaferro se tornou alvo de um inquérito após o vazamento e teme retaliações.

De acordo com o requerimento, foram convidados para a audiência pública:

– O ministro do STF, Alexandre de Moraes;
– O jornalista Sérgio Tavares;
– O ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, Eduardo Tagliaferro;
– O juiz auxiliar no gabinete do Ministro Alexandre de Moraes, Marco Antônio Martins Vargas e;
– O juiz instrutor no gabinete do Ministro Alexandre de Moraes, Airton Vieira.

Na justificativa do pedido, Girão ressaltou que a audiência busca esclarecer o uso de recursos judiciais e garantir segurança aos envolvidos no caso.

Áudios vazados

Em agosto de 2024, as conversas de áudios vazados foram revelados pela Folha de S.Paulo e mostram o juiz instrutor Airton Vieira, do gabinete do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), planejando uma estratégia para manter em sigilo pedidos extraoficiais feitos por Moraes durante o inquérito das fake news contra bolsonaristas em 2022.

Em mensagens trocadas com Eduardo Tagliaferro, Vieira orienta que os pedidos sejam feitos sem registro formal.

Formalmente, se alguém for questionar, vai ficar uma coisa muito descarada, digamos assim. Como um juiz instrutor do Supremo manda [um pedido] pra alguém lotado no TSE e esse alguém, sem mais nem menos, obedece e manda um relatório, entendeu? Ficaria chato”, disse.

O gabinete de Moraes teria solicitado ao menos 20 vezes a produção de relatórios por meio de mensagens de WhatsApp, sem registros oficiais. Para evitar questionamentos, a estratégia consistia em atribuir os pedidos a um juiz auxiliar do TSE ou a denúncias anônimas. Os documentos gerados embasaram medidas criminais contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Vieira detalha no áudio a necessidade de evitar seu nome no processo.

Em um primeiro momento, até pensei em colocar o meu nome, ‘de ordem do juiz Airton Vieira’, mas pensando melhor fica estranho, porque eu não tenho como mandar para você, que é lotado no TSE, um ofício ou pedir alguma coisa e você me atender sem mais nem menos.”

Ele conclui que a melhor solução seria simular pedidos de um juiz do TSE, tornando-os menos questionáveis.

Conforme o requerimento para audiência pública, em 31 de março de 2025, um novo vazamento envolvendo Tagliaferro revelou que ele ainda teme por sua vida. Dessa forma, o documento aponta a necessidade da participação dos envolvidos na audiência para um acompanhamento mais de perto do caso.

Diante da gravidade das informações e dos riscos apontados, é essencial que os envolvidos compareçam ao Congresso Nacional para esclarecer as ameaças que colocam em risco a integridade e a segurança de Tagliaferro”.

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