Durante o programa Alive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube nesta segunda-feira (16), o economista Hugo Queiroz afirmou que a credibilidade das instituições regulatórias é central para o funcionamento do mercado financeiro. A declaração ocorreu em meio às discussões sobre as investigações envolvendo o Banco Central (BC) no caso do Banco Master.
Segundo Queiroz, a presença de pessoas infiltradas em estruturas regulatórias pode comprometer decisões institucionais.
Ele afirmou que “o quanto infiltrado existem dentro das instituições públicas, mesmo elas sendo imparciais ou tendo uma autonomia como empresas públicas ou como autarquias, estilo CVM, estilo Banco Central, você percebe que tem esse formato, esse desenho lá”.
O economista disse que decisões tomadas por esses agentes têm impacto direto sobre o sistema financeiro e defendeu punições exemplares. “O que é importante e principal é haver uma punição exemplar para que coíba esse tipo de comportamento”, afirmou.
Queiroz acrescentou que a credibilidade do sistema regulatório é determinante para o funcionamento do mercado. “Se você não tiver um regulatório que tenha credibilidade e confiança, você destrói toda uma circunstância ou todo um mercado, seja ele o financeiro, o bancário”, disse.
Ele também afirmou que a perda de confiança institucional abre espaço para irregularidades. “Se você tiver um banco central sem credibilidade, você vai, obviamente, trazer a possibilidade de malfeitos, crimes, como a gente está observando nesse caso do Banco Master”, declarou.
Ao comentar experiências anteriores no setor público, o economista afirmou que presenciou casos semelhantes ao longo de sua trajetória profissional. Ele disse ter trabalhado 14 anos na Caixa Econômica Federal e relatou episódios investigados durante a Operação Lava Jato.
“Eu fiquei 14 anos na Caixa Econômica Federal. E pude observar isso lá dentro em pessoa”, afirmou.
Durante o programa, o apresentador Claudio Dantas também comentou o crescimento patrimonial do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Dantas afirmou que operações dessa magnitude não ocorreriam sem apoio institucional. “Eu já sabia que tinha rolo, eu avisei, enquanto todo mundo falava não pode tocar no Banco Central”, disse.
Segundo ele, o avanço do banco no mercado dependeria de conexões institucionais. “Ninguém consegue chegar onde o Master chegou sem um regulatório comprado, sem parceiros na política, sem parceiros no judiciário, sem parceiros no mercado”, afirmou.
A advogada Carol Sponza também comentou o impacto institucional das suspeitas envolvendo o Banco Central. Ela afirmou que o principal problema observado no caso foi a perda de credibilidade da autoridade monetária.
“De tudo que a gente assistiu no Banco Master, a minha maior dor foi assistir o Banco Central sendo aparelhado”, declarou.
Sponza afirmou que decisões sobre juros devem permanecer técnicas e livres de interferência política. “Isso não é papel de deputado, não é papel de qualquer político reclamar sobre juros. Isso tem que ser uma decisão extremamente técnica”, disse.
Segundo ela, a credibilidade da autoridade monetária é um elemento central para o funcionamento do sistema financeiro. “Só um Banco Central completamente independente consegue manter o sistema capitalista funcionando”, afirmou.
As declarações ocorreram no contexto das investigações sobre suspeitas envolvendo dois técnicos do Banco Central que atuavam na supervisão do Banco Master. Os servidores foram afastados após auditoria interna identificar indícios de recebimento de vantagens indevidas.
O episódio levou o Banco Central a acelerar a revisão dos processos de supervisão de instituições financeiras, com discussão de mudanças internas na estrutura de fiscalização.
