Alta demanda da cúpula do Judiciário também impacta gastos; paralisação atinge 40 aeronaves e 137 pilotos
O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Damasceno, passou a utilizar voos comerciais para suas viagens a serviço desde julho, em razão da restrição orçamentária e da alta demanda de autoridades por voos da FAB (Força Aérea Brasileira). Segundo oficiais-generais, o baixo orçamento para manutenção causou a paralisação de 40 aeronaves e o afastamento de 137 pilotos, tornando o atendimento a todas as solicitações inviável.
Um decreto presidencial de 2020 estabelece uma ordem de prioridade para o uso dos aviões da FAB. O primeiro da lista é o vice-presidente Geraldo Alckmin, seguido pelos presidentes do Senado, da Câmara e do STF. Ministros de Estado vêm na sequência, e só depois os chefes das Forças Armadas podem utilizar as aeronaves, caso haja disponibilidade. O presidente não entra na fila pois tem aviões presidenciais exclusivos.
Diante desse cenário, o brigadeiro Damasceno recorreu a companhias aéreas para cumprir compromissos em Recife, Salvador, Belo Horizonte e até em viagens internacionais, como para a Argentina e a Colômbia. Por outro lado, a FAB realizou 700 voos para autoridades de alto escalão neste ano. Em julho, 67 transportes de autoridades foram realizados, um número bem menor que os 99 de junho e 112 de maio — A Aeronáutica vem tentando reduzir custos por falta de verba.
Quantidade de voos da FAB em 2025:
- Janeiro: 82 voos
- Fevereiro: 88 voos
- Março: 116 voos
- Abril: 136 voos
- Maio: 112 voos
- Junho: 99 voos
- Julho: 67 voos
Autoridades que mais voaram com aviões da FAB em 2025:
- Hugo Motta (Presidente da Câmara): 73 voos
- Fernando Haddad (Ministro da Fazenda): 70 voos
- Luís Roberto Barroso (Presidente do STF): 69 voos
- Ricardo Lewandowski (Ministro da Justiça): 54 voos
- Mauro Vieira (Ministro das Relações Exteriores): 40 voos
Para conter os gastos, a Aeronáutica também reduziu o expediente presencial das organizações militares e substituiu missões por videoconferências. O pacote de medidas foi apresentado em julho após ocontigenciamento e bloqueio de R$ 2,6 bilhões nas verbas do Ministério da Defesa, determinado pela área econômica do governo Lula.
Além disso, 40 aeronaves ficarão paradas até o fim do ano e 137 pilotos foram afastados, o que pode ter impacto a médio e longo prazo na formação de novos pilotos, na avaliação de oficiais-generais.
Leia a nota da FAB na íntegra:
“A Força Aérea Brasileira (FAB) informa que o Decreto n° 12.447, de 30 de maio de 2025, determinou a contenção de cerca de R$ 2,6 bilhões ao atual orçamento do Ministério da Defesa.
Desse total, coube ao Comando da Aeronáutica (COMAER) a contenção de R$ 812,2 milhões, dos quais R$ 483,4 milhões em despesas discricionárias e R$ 328,8 milhões em projetos estratégicos.
No tocante às despesas discricionárias, foram estabelecidos critérios, métodos e premissas para a definição das ações orçamentárias cujas atividades e projetos seriam afetados.
Dentro das possibilidades de absorção dos valores conforme a classificação orçamentária, foram priorizadas despesas discricionárias que dão suporte orçamentário para a execução de determinadas atividades, e também para compromissos já assumidos, em detrimento de outras áreas.
Contudo, considerando o alto valor dos bloqueios e dos contingenciamentos estabelecidos, e o fato de essas contenções terem sido estabelecidas restando sete meses do atual exercício, houve impactos severos em praticamente todas as atividades, desde as operacionais, até as logísticas e administrativas.
No que diz respeito aos projetos estratégicos, a redução de 17% do valor da LOA irá requerer ajustes contratuais, a fim de mitigar impactos nos cronogramas de entregas das aeronaves.”
