Com baixo orçamento, comandante da FAB usa voo comercial
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Sem orçamento, comandante da FAB viaja em voo comercial

Comandate da FAB viaja em voo comercial por falta de aviões militares, que ficaram exclusivos para autoridades
Comandate da FAB viaja em voo comercial por falta de aviões militares, que ficaram exclusivos para autoridades

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Por Redação

Alta demanda da cúpula do Judiciário também impacta gastos; paralisação atinge 40 aeronaves e 137 pilotos

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Damasceno, passou a utilizar voos comerciais para suas viagens a serviço desde julho, em razão da restrição orçamentária e da alta demanda de autoridades por voos da FAB (Força Aérea Brasileira). Segundo oficiais-generais, o baixo orçamento para manutenção causou a paralisação de 40 aeronaves e o afastamento de 137 pilotos, tornando o atendimento a todas as solicitações inviável.

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Um decreto presidencial de 2020 estabelece uma ordem de prioridade para o uso dos aviões da FAB. O primeiro da lista é o vice-presidente Geraldo Alckmin, seguido pelos presidentes do Senado, da Câmara e do STF. Ministros de Estado vêm na sequência, e só depois os chefes das Forças Armadas podem utilizar as aeronaves, caso haja disponibilidade. O presidente não entra na fila pois tem aviões presidenciais exclusivos.

Diante desse cenário, o brigadeiro Damasceno recorreu a companhias aéreas para cumprir compromissos em Recife, Salvador, Belo Horizonte e até em viagens internacionais, como para a Argentina e a Colômbia. Por outro lado, a FAB realizou 700 voos para autoridades de alto escalão neste ano. Em julho, 67 transportes de autoridades foram realizados, um número bem menor que os 99 de junho e 112 de maio — A Aeronáutica vem tentando reduzir custos por falta de verba.

Quantidade de voos da FAB em 2025:

  • Janeiro: 82 voos
  • Fevereiro: 88 voos
  • Março: 116 voos
  • Abril: 136 voos
  • Maio: 112 voos
  • Junho: 99 voos
  • Julho: 67 voos

Autoridades que mais voaram com aviões da FAB em 2025:

  • Hugo Motta (Presidente da Câmara): 73 voos
  • Fernando Haddad (Ministro da Fazenda): 70 voos
  • Luís Roberto Barroso (Presidente do STF): 69 voos
  • Ricardo Lewandowski (Ministro da Justiça): 54 voos
  • Mauro Vieira (Ministro das Relações Exteriores): 40 voos

Para conter os gastos, a Aeronáutica também reduziu o expediente presencial das organizações militares e substituiu missões por videoconferências. O pacote de medidas foi apresentado em julho após ocontigenciamento e bloqueio de R$ 2,6 bilhões nas verbas do Ministério da Defesa, determinado pela área econômica do governo Lula.

Além disso, 40 aeronaves ficarão paradas até o fim do ano e 137 pilotos foram afastados, o que pode ter impacto a médio e longo prazo na formação de novos pilotos, na avaliação de oficiais-generais.

Leia a nota da FAB na íntegra:

“A Força Aérea Brasileira (FAB) informa que o Decreto n° 12.447, de 30 de maio de 2025, determinou a contenção de cerca de R$ 2,6 bilhões ao atual orçamento do Ministério da Defesa.

Desse total, coube ao Comando da Aeronáutica (COMAER) a contenção de R$ 812,2 milhões, dos quais R$ 483,4 milhões em despesas discricionárias e R$ 328,8 milhões em projetos estratégicos.

No tocante às despesas discricionárias, foram estabelecidos critérios, métodos e premissas para a definição das ações orçamentárias cujas atividades e projetos seriam afetados.

Dentro das possibilidades de absorção dos valores conforme a classificação orçamentária, foram priorizadas despesas discricionárias que dão suporte orçamentário para a execução de determinadas atividades, e também para compromissos já assumidos, em detrimento de outras áreas.

Contudo, considerando o alto valor dos bloqueios e dos contingenciamentos estabelecidos, e o fato de essas contenções terem sido estabelecidas restando sete meses do atual exercício, houve impactos severos em praticamente todas as atividades, desde as operacionais, até as logísticas e administrativas.

No que diz respeito aos projetos estratégicos, a redução de 17% do valor da LOA irá requerer ajustes contratuais, a fim de mitigar impactos nos cronogramas de entregas das aeronaves.”

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