Seis ministros do STF receberam acima do teto com penduricalhos
Brasília, Quarta, 24 de junho de 2026
Justiça

Seis ministros do STF receberam acima do teto com penduricalhos

Alexandre de Moraes lidera repasses e soma mais de R$ 1 milhão em pagamentos retroativos desde 2019

Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF

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Por Redação

Seis dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) receberam valores acima do teto do funcionalismo público mesmo já ocupando cargos na Corte. O limite constitucional hoje é de R$ 46,3 mil.

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Levantamento da Folha de S. Paulo, com base em dados do Judiciário, do Ministério Público e da Advocacia-Geral da União, aponta que os pagamentos extras somam R$ 2,8 milhões desde 2019.

Entre os que receberam acima do teto estão Flávio Dino e Gilmar Mendes, autores de decisões liminares que barraram supersalários no setor público. Também tiveram valores inflados Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques e André Mendonça.

Alexandre de Moraes lidera em valores. Entre 2019 e 2026, ele recebeu mais de R$ 1 milhão líquido do Ministério Público de São Paulo, onde atuou como promotor entre 1991 e 2002.

Os pagamentos acima do teto ocorreram principalmente por verbas retroativas — os chamados “puxadinhos”. Esses adicionais são criados pelos órgãos e pagos com efeito retroativo, gerando quantias acumuladas elevadas.

Flávio Dino recebeu acima do teto já como ministro. Em dezembro de 2024, somou R$ 55 mil líquidos, incluindo quase R$ 30 mil em retroativos ligados a direitos não usufruídos como juiz federal. Em 2020, ainda como governador do Maranhão, chegou a R$ 106 mil líquidos pelo mesmo motivo.

Gilmar Mendes acumulou mais de R$ 880 mil pagos pelo Ministério Público Federal desde 2019, em razão de vínculos anteriores como procurador.

Kassio Nunes Marques recebeu mais de R$ 277 mil em novembro de 2020, mês em que tomou posse no STF, com valores do TRF-1.

André Mendonça acumulou R$ 175,3 mil desde 2022. O maior pagamento ocorreu em janeiro de 2025, com R$ 154,8 mil em honorários retroativos.

Segundo a reportagem, não foram identificados pagamentos extras a Cármen Lúcia, Edson Fachin e Dias Toffoli no período analisado. Cristiano Zanin não tem histórico como servidor concursado e não teria direito a esse tipo de adicional.

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