O presidente Lula afirmou nesta segunda-feira (9) que, se Donald Trump conhecesse seu “parentesco com Lampião”, não provocaria o Brasil. A declaração foi feita durante cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo.
“Se o Trump conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião de um presidente, ele não ficaria provocando a gente”, disse Lula. Em seguida, afirmou não querer confronto direto. “Eu não quero briga com ele, não sou doido, vai que eu brigo e eu ganho, o que eu vou fazer?”, completou.
Na mesma fala, o presidente afirmou que a atuação do Brasil deve se concentrar na defesa do multilateralismo. “A briga do Brasil é a briga da construção da narrativa”, declarou. Segundo ele, o modelo multilateral garantiu estabilidade internacional após a Segunda Guerra Mundial. “O unilateralismo imposto pela teoria de que o mais forte pode tudo contra o mais fraco não nos interessa”, afirmou.
Encontro em Washington
Lula confirmou que viajará aos Estados Unidos em março para um encontro com Trump em Washington. A agenda foi acertada após conversa telefônica entre os dois presidentes em janeiro.
De acordo com o Palácio do Planalto, o governo brasileiro pretende tratar de cooperação em segurança pública, com foco no combate à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas e no congelamento de ativos de organizações criminosas, além do intercâmbio de dados financeiros.
O petista também deve reiterar a defesa da reforma do Conselho de Segurança da ONU. Lula ainda não respondeu formalmente ao convite para integrar um Conselho da Paz proposto por Trump e condicionou eventual participação a mudanças no escopo do órgão, incluindo a limitação do mandato ao conflito em Gaza e a presença da Palestina.
