A C&M Software, empresa fundada em 1999 e especializada na integração de instituições financeiras a sistemas como o Pix, foi alvo de um ataque hacker que resultou no desvio de aproximadamente R$ 1 bilhão. O crime, que já é considerado um dos maiores do setor financeiro brasileiro, deu acesso a contas de reserva de instituições como a BMP e a Credsystem, usadas pelo Banco Central (BC)
A C&M Software comunicou o ataque à sua infraestrutura tecnológica na noite de terça-feira (1), informando que o sistema de seis instituições financeiras foi afetado. O BC não divulgou os valores envolvidos. No entanto, fontes do mercado estimam que o prejuízo possa atingir R$ 1 bilhão. O crime está sendo investigado pelo banco, pela Polícia Federal e pela Polícia Civil de São Paulo.
A C&M Software foi a primeira a obter autorização do BC para prestar serviços de processamento de dados ao setor financeiro e já atendeu cerca de 400 clientes, incluindo o Bradesco, fintechs, corretoras de investimentos e cooperativas de crédito, afirmando deter 23% de participação nesse segmento.
O ataque hacker permitiu acesso às contas reservas das seis instituições, incluindo a BMP e a Credsystem. A BMP informou que, ao detectar o ataque, a C&M Software foi imediatamente desconectada do ambiente do Banco Central. A empresa garantiu que “nenhum cliente da BMP foi impactado ou teve seus recursos acessados” e que o ataque envolveu exclusivamente recursos depositados em sua conta reserva no Banco Central.
A BMP, também prestadora de serviços para o setor financeiro e localizada na Av. Paulista (SP), reporta ter 280 parceiros, processar R$ 15 bilhões em transações bancárias e R$ 1,5 bilhão em operações de crédito por mês. Fundada em dezembro de 1999, a empresa se autointitula a primeira fintech do país e tem autorização do BC para atuar como instituição financeira desde 2009.
Já a Credsystem, fundada em 1996 e com foco no varejo, já emitiu 44 milhões de cartões para clientes de varejistas desde sua criação. As duas últimas empresas não retornaram o contato para comentar a reportagem.
