Em oitiva da CPMI do INSS, empresário apontado como “homem da mala” relata divergências sobre transparência
O empresário Rubens Oliveira Costa, apontado como parte do esquema coordenado pelo “Careca do INSS”, afirmou à CPMI que levantou dúvidas sobre operações financeiras de empresas nas quais atuava como administrador e que seu afastamento ocorreu por “desavenças”. Ele nega ter sido sócio de Antônio Carlos Camilo e sustenta que exercia funções administrativas.
Durante o depoimento, Costa disse ter sido afastado por divergências com Camilo. Questionado pelo deputado Beto Pereira (PSDB-MS) sobre o motivo, respondeu que identificou irregularidades. “A minha consultoria sempre trabalhou de uma forma estruturada e transparente. A partir do momento que eu não enxerguei mais isso, houve questionamentos, ele entendeu que o meu afastamento era o mais adequado”, disse.
Rubens é pressionado pelo relator para contar detalhes
O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), pediu esclarecimentos adicionais sobre o episódio. “Eu não sei se eu entendi corretamente, (…) é verdade que ele foi retirado das funções que exercia, pelo Sr. Antônio Carlos Camilo, Careca do INSS, a partir do momento em que ele pediu transparência nas operações? (…) Isso é muito importante. E pergunto ao senhor: quais questionamentos o senhor fez ao Sr. Careca? Porque pode mudar muito a visão que nós estamos tendo do senhor.”
Costa confirmou que houve atritos considerados “inconvenientes” por Camilo e afirmou ter sido substituído por Milton Salvador de Almeida Júnior. “As mesmas colocações feitas pelo Sr. Milton, eu vou reforçar aqui que todo e qualquer pagamento era feito com base em documentos fiscais. A partir do momento em que você recebia solicitações e não tinha uma contrapartida fiscal, não tinha um documento que pudesse registrar, houve questionamentos e, por essa razão e outras confusões quanto à forma de interpretação, contabilização e registro, entendemos naquela época que era mais interessante eu me afastar”.
Contexto da oitiva
Ao longo da sessão, Costa reiterou que não era sócio de Camilo e que sua atuação se restringia à administração financeira. Em outros trechos, confirmou ter emitido notas fiscais da Vênus Consultoria para a Prospect — cerca de R$ 1,8 milhão — e disse ter documentos que pretende encaminhar à comissão. Diante de perguntas potencialmente incriminatórias, invocou o habeas corpus para permanecer em silêncio.
