RJ suspende imposto sobre exportação de petróleo criado por Lula
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

RJ suspende imposto sobre exportação de petróleo criado por Lula

Liminar aponta possível inconstitucionalidade e trava cobrança de 12% sobre o setor

Petróleo passa de US$ 100 após ação de Israel no Irã
Barris de petróleo • Foto: Instagram/ Reprodução

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Justiça Federal do Rio de Janeiro suspendeu o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto criado pelo governo do presidente Lula no início desta semana, como parte de medidas para compensar a desoneração de PIS/Cofins sobre o diesel e a subvenção ao combustível importado.

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A decisão liminar beneficia grandes petroleiras que atuam no estado e aponta possível inconstitucionalidade da medida. O governo previa arrecadar R$ 32,1 bilhões neste ano, podendo chegar a R$ 69,2 bilhões com outras receitas do setor.

O governo ainda não se pronunciou. A expectativa é de recurso para tentar reverter a decisão.

A liminar foi concedida pelo juiz Humberto de Vasconcelos Sampaio, da 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Ele entendeu que o imposto tem caráter arrecadatório e não atende aos requisitos legais para cobrança imediata.

“A redação do art. 10 da MP nº 1.340/2026, ao prever expressamente que a receita decorrente do Imposto de Exportação será destinada ao atendimento das necessidades fiscais emergenciais da União, revela de maneira inequívoca a finalidade arrecadatória da medida”, escreveu o magistrado.

O juiz também afirmou que houve reconhecimento do objetivo de arrecadação, o que exige respeito ao princípio da anterioridade. Pela regra, a cobrança de tributos deve observar prazo mínimo de 90 dias ou ocorrer apenas no exercício seguinte.

A decisão beneficia empresas como TotalEnergies, Shell e Equinor. A Petrobras não integra a ação.

Sem a arrecadação prevista, o pacote para conter o preço do diesel perde sustentação fiscal. As medidas incluem subsídios e cortes de tributos, com impacto estimado de até R$ 30 bilhões.

O governo defende que a iniciativa busca conter a inflação e reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que as empresas podem “pagar um pouco mais” diante do cenário externo.

“É mais uma demonstração da proatividade e da diligência do nosso governo, liderado pelo presidente Lula, frente às oscilações tão negativas de uma guerra tão irresponsável. São medidas tributárias e regulatórias para minimizar esses impactos, inclusive com ações coercitivas contra quem atentar contra a economia popular”, disse.

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