Deputado Diego Garcia diz não haver provas de que parlamentar tenha ordenado invasão ao CNJ; votação foi adiada
O relator do processo contra a deputada Carla Zambelli, do PL de São Paulo, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, deputado Diego Garcia, do Republicanos do Paraná, apresentou nesta terça-feira, 2 de dezembro, parecer contrário à cassação do mandato da parlamentar.
Em coletiva à imprensa, Garcia afirmou não ter encontrado provas de que Zambelli tenha ordenado a invasão ao Conselho Nacional de Justiça.
“Eu analisei toda a ação e todos os documentos aos quais tive acesso e o que encontrei foram suspeitas, mas não há certeza de que a deputada tenha ordenado as invasões”, disse o relator, chamando o caso de complexo e ressaltando que é a primeira vez que a Câmara analisa uma situação envolvendo uma parlamentar condenada e presa no exterior.
Um pedido de vista adiou a votação, que ficará para a próxima semana. O parecer ainda precisa ser votado pelos membros da CCJ, que podem aceitar ou rejeitar o texto. Após a análise da comissão, o caso será submetido ao plenário da Câmara, sendo necessários pelo menos 257 votos para a cassação.
Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão pelo STF
Carla Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por comandar uma invasão aos sistemas do CNJ, em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto. Entre os documentos falsos inseridos na base de dados do CNJ, havia um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
A defesa da deputada apresentou recurso alegando cerceamento de defesa, por falta de acesso a todos os arquivos apreendidos, mas teve o pedido negado. Zambelli também recebeu outra condenação de cinco anos e três meses de prisão por perseguir, armada, um homem em São Paulo em 2022. Não cabem mais recursos das duas decisões.
A parlamentar está presa em Roma, na Itália, desde julho deste ano, após fugir do Brasil antes de a condenação se tornar definitiva. Ela declarou que pretende ser julgada pela Justiça italiana e que provará não ter envolvimento na invasão ao sistema do CNJ.
