Relator da CPI diz que prisão de Vorcaro indica atuação de crime organizado
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Relator da CPI diz que prisão de Vorcaro indica atuação de crime organizado

Senador Alessandro Vieira afirma que operação da PF reforça investigação do Senado sobre o caso Banco Master

Escritório da família de Moraes acionará senador na Justiça
O parlamentar sustenta que a acusação não encontra respaldo jurídico e contraria precedentes do próprio ministro. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou nesta quarta-feira (4) que a nova fase da Operação Compliance Zero, que levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, reforça indícios de atuação de crime organizado e justifica o avanço das investigações no Congresso.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

“As notícias recentes, com prisão de Vorcaro e parceiros flagrados combinando ações violentas e corrupção de agentes públicos, deixam claro o óbvio: é atuação típica de crime organizado de altíssima periculosidade e pode e deve ser objeto de atuação da CPI no Senado”, afirmou.

A nova prisão de Vorcaro foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e ocorreu na manhã desta quarta-feira. A decisão faz parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.

Vorcaro era esperado para prestar depoimento na CPI nesta quarta-feira, assim como seu cunhado, o empresário Fabiano Zettel. Ambos haviam sido convocados pelo colegiado.

Na véspera, Mendonça analisou pedido da defesa e retirou a obrigatoriedade de comparecimento de Vorcaro à comissão, transformando a convocação em facultativa com base no direito constitucional de não autoincriminação.

Na decisão, o ministro citou precedentes do STF que indicam que investigados não são obrigados a comparecer a interrogatórios, inclusive em comissões parlamentares de inquérito. O direito ao silêncio, segundo o entendimento, inclui a faculdade de decidir se comparecer ou não, sem sanção pelo não comparecimento.

Fabiano Zettel também era esperado na comissão. O empresário foi alvo de mandado de prisão preventiva na operação e se apresentou às autoridades após a deflagração das medidas.

A informação sobre as prisões circulou entre integrantes da CPI em grupos de mensagens entre parlamentares. Nos bastidores, senadores afirmaram que a operação da Polícia Federal alterou o cenário da investigação no Congresso.

O senador Sergio Moro (União-PR), integrante da comissão, comentou a decisão judicial.

“A CPI vê com satisfação a justiça sendo realizada. A permanência de Vorcaro em liberdade ameaçava a investigação, considerando o poder econômico e a sua rede de influência. O ministro André Mendonça tem mostrado zelo pela justiça, então era uma medida provável”, afirmou.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), também membro da CPI, disse que já considerava provável que Vorcaro não comparecesse ao depoimento.

“Eu não tinha dúvida de que ele não iria comparecer, pois o silêncio é a melhor arma dele”, declarou.

A sessão da CPI prevista para esta quarta-feira foi cancelada após decisões do STF que tornaram facultativa a presença de Vorcaro e Zettel. Em nota, a comissão afirmou que a ausência dos depoentes não interrompe os trabalhos e que as investigações continuam com análise de documentos e outras diligências.

A repercussão da prisão também chegou à Câmara dos Deputados. O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que a comissão seguirá investigando o caso.

“Vejo a prisão de Vorcaro como uma necessidade premente diante dos graves fatos expostos. Já defendia essa medida mais restritiva, porém agora o investigado passou de todos os limites. A CPMI do INSS vai seguir investigando o Master e outras instituições financeiras”, disse.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), integrante da comissão, afirmou que o episódio reforça a necessidade de aprofundar as investigações.

“Queremos que esta investigação sobre o Master seja levada às últimas consequências, porque o Brasil precisa conhecer o subterrâneo desse banqueiro que se tornou bilionário a partir de decisões adotadas dentro do governo Bolsonaro”, afirmou.

Também integrante da comissão, o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) comentou a possibilidade de colaboração premiada.

“Existe muita apreensão no meio político, e uma eventual delação, que já é esperada, pode abalar todas as instituições da República”, disse.

A terceira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira. A operação incluiu quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

A decisão do ministro André Mendonça também determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões.

A investigação apura suspeitas de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionados ao Banco Master.

Segundo investigadores, o esquema teria utilizado estruturas do mercado financeiro para captar recursos e movimentar ativos de alto risco ou baixa liquidez, além de operações destinadas a ocultar prejuízos e desviar recursos.

A Operação Compliance Zero teve início em novembro de 2025. A primeira fase investigou a venda de carteiras de crédito sem lastro. A segunda fase, em janeiro deste ano, ampliou o foco para fundos de investimento ligados à gestora Reag utilizados para movimentação de recursos. A terceira fase incluiu novas prisões e medidas cautelares relacionadas ao caso.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade