Integrantes de partidos que hoje apoiam formalmente o governo Lula já não enxergam mais na prometida reforma ministerial um fator decisivo para a relação com o Planalto ou para as articulações de 2026.
Após sete meses de atraso e promessas não cumpridas, o consenso é que, se mudanças saírem do papel, terão impacto mínimo.
No ano passado, o governo acenava com a entrega de ministérios para acomodar aliados fortalecidos nas urnas municipais e comprometidos a subir no palanque de Lula. Mas, até agora, as trocas foram tímidas: petistas por petistas, como no caso de Alexandre Padilha por Gleisi Hoffmann na articulação política, além de substituições pontuais no União Brasil e no PDT, motivadas por suspeitas contra os titulares.
Fontes de partidos como União Brasil, PSD, MDB, PP e Republicanos, o chamado “quinteto aliado” de Lula fora da esquerda, afirmaram à Folha que o governo perdeu o timing para uma reforma de peso.
A expectativa era de que, com a eleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a Câmara e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para o Senado, o Planalto cedesse espaço, até mesmo na chamada “cozinha” do governo, para nomes como o de Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL).
Enquanto isso, os cinco partidos seguem impondo derrotas ao Planalto no Congresso e articulam, nos bastidores, uma candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) para a Presidência, com apoio de Jair Bolsonaro (PL). Para o grupo, há uma diferença clara entre sustentar o governo Lula no Congresso Nacional em nome da governabilidade, e apoiar o PT em 2026.
