Fachin avança proposta para barrar gastos sem previsão orçamentária
Brasília, Quinta, 18 de junho de 2026
Justiça

Fachin avança proposta para barrar gastos sem previsão orçamentária

STF inicia tramitação de súmula vinculante que pode limitar criação de despesas e benefícios fiscais sem compensação

Fachin fala em 'ressignificar' papel dos juízes
Foto: Antonio Augusto/STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, deu andamento à proposta apresentada por Gilmar Mendes para criar uma súmula vinculante que poderá impedir a aprovação de leis e atos normativos que gerem despesas obrigatórias ou concedam benefícios fiscais sem previsão de impacto nas contas públicas.

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A iniciativa ocorre em meio à tramitação, no Congresso Nacional, de projetos com potencial de ampliar gastos públicos. A proposta busca consolidar o entendimento da Corte sobre exigências previstas na Constituição e na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Pelo texto apresentado, será considerada inconstitucional qualquer norma que crie ou aumente despesas obrigatórias, conceda incentivos fiscais ou provoque renúncia de receitas sem a prévia estimativa de impacto orçamentário e financeiro.

A proposta também estabelece a obrigatoriedade da indicação de medidas compensatórias para neutralizar os efeitos fiscais das iniciativas.

No despacho, Fachin afirmou que o pedido atende aos requisitos formais exigidos pela Constituição e pela legislação. Segundo o ministro, a matéria trata de tema constitucional, possui jurisprudência consolidada no STF e apresenta controvérsia atual.

Uma súmula vinculante funciona como um mecanismo de uniformização do entendimento da Corte. Depois de aprovada, passa a orientar decisões de todo o Judiciário e da administração pública sobre o tema tratado.

Com o avanço do processo, o presidente do STF abriu prazo de cinco dias para que órgãos e partes interessadas apresentem manifestações sobre a proposta.

Após essa etapa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) deverá emitir parecer. Em seguida, o texto será encaminhado à Comissão de Jurisprudência do Supremo, que terá prazo de 15 dias para análise.

Os integrantes da comissão poderão sugerir alterações, revisão ou até o cancelamento da proposta. Encerrada essa fase, com ou sem manifestação do colegiado, Fachin deverá encaminhar o tema para votação dos demais ministros no plenário virtual da Corte.

Se aprovada, a súmula passará a servir de referência obrigatória para casos semelhantes em todo o país.

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