O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), se manifestou nesta terça-feira (17) sobre o indiciamento no inquérito da Polícia Federal que apura a chamada “Abin paralela”. Segundo ele, o caso é baseado em “narrativas”.
Ramagem afirmou que só vai comentar tecnicamente o relatório quando tiver acesso integral ao conteúdo. “Quando houver acesso ao relatório final, analisarei ponto a ponto, de forma técnica e fundamentada, contra as narrativas criadas pela PF”, disse.
Mais de 30 pessoas foram indiciadas, incluindo o atual diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). A PF confirmou a atuação de Jair Bolsonaro no caso, mas não o indiciou formalmente, alegando que ele já responde pelo mesmo crime na ação penal do 8 de Janeiro, respeitando o princípio da vedação à dupla incriminação.
Em publicação no X, o parlamentar defendeu sua gestão à frente da agência:
“O início da tal ‘Abin paralela’ surgiu com um sistema FirstMile. Descobriram que foi minha gestão a exigir controle, apurar utilização, exonerar o diretor responsável e encaminhar à corregedoria, com farta documentação.”
Segundo ele, a investigação “descambou”, expondo disputas internas no governo Lula:
“Revelou-se apenas criatividade endereçada à imprensa; vontade da Abin de não ter controle; uma PF desestruturando a inteligência de Estado; e, ao final, rixa política interna contra a administração do Lula na Abin.”
Um indiciamento de Jair Bolsonaro, sem nem ouvi-lo. Incluíram Carlos Bolsonaro na investigação por uma mensagem recebida, não respondida, de uma funcionária, quando eu já estava eleito deputado, longe da Abin há vários meses.
O início da tal “Abin paralela” surgiu com um…
— Alexandre Ramagem (@delegadoramagem) June 17, 2025
Contexto da investigação
A PF apura o uso indevido do sistema de geolocalização israelense FirstMile, que teria permitido o rastreamento de até 10 mil celulares por ano no início do governo Bolsonaro. Segundo os investigadores, autoridades como ministros do STF, parlamentares e jornalistas teriam sido monitoradas sem respaldo legal.
Em uma das fases da operação, agentes encontraram computadores da Abin ocultados por funcionários. A suspeita é que a cúpula da agência tentou dificultar as investigações.
