O anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência é uma cartada tão arriscada quanto necessária para a sobrevivência política da família. Ela já estava planejada, mas foi precipitada pela urgência de consolidação da própria liderança do 01 como porta-voz de Jair Bolsonaro, após o curto-circuito com Michelle no início da semana.
Tudo o que Bolsonaro não precisa agora é de divisão dentro do próprio movimento. Flávio como pré-candidato unifica a base, põe um freio de arrumação e desincentiva rebeliões. Por outro lado, deve provocar neste momento um afastamento por parte de partidos do Centrão, como PP e União Brasil, PSD e Republicanos.
Na prática, esse afastamento já vinha ocorrendo. Hugo Motta lavou as mãos em relação à anistia e, após sua prisão, várias lideranças beneficiadas pela força eleitoral de Bolsonaro passaram a tratá-lo como um morto político. Eduardo Leite, Gilberto Kassab e Aécio Neves passaram até a defender um Tarcísio de Freitas mais ao centro, sem a marca bolsonarista.
A pergunta agora é por quanto tempo Flávio levará essa candidatura adiante, antes de ceder à pressão da política, da mídia, do Judiciário e do mercado, retornando o plano original com Tarcísio. O limite para que o governador de São Paulo se desincompatibilize do cargo é março. Depois disso, só restará ao governador à reeleição.
Nesse cenário, os partidos do Centrão terão de buscar outro nome, entre Ronaldo Caiado, Ratinho Jr, Romeu Zema e… Michel Temer. Sim, o ex-presidente vem sendo testado nos bastidores. Quem passar para o segundo turno, reunirá os demais. Mas algum deles teria chances reais contra Lula?
Os donos dos institutos de pesquisa a partir de agora terão de recalibrar seus formulários e testar cenários com todos. Na companhia deles, em vez de Jair, Flávio Bolsonaro. O senador já sabe que reviverá todas as acusações passadas, mas o que lhe interessa é saber se consegue herdar os votos do pai e usar esse capital para renegociar o espaço perdido.
