“Quero mandar dar um pau nele”, diz Vorcaro sobre Lauro
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

“Quero mandar dar um pau nele”, diz Vorcaro sobre Lauro Jardim

Mensagens citadas em decisão do STF indicam que dono do Banco Master teria ordenado ataque contra jornalista

MP pede ao TCU investigação sobre autoridades em festas de Vorcaro
Foto: Divulgação/Lide

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Preso nesta quarta-feira, (04), pela Polícia Federal, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria solicitado a um aliado que organizasse um assalto forjado para agredir o jornalista Lauro Jardim, de O Globo. Segundo o ministro André Mendonça, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), a intenção seria “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.

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Vorcaro foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação aponta que ele comandava uma estrutura privada de vigilância e intimidação chamada “A Turma”, usada para monitorar adversários e obter informações sigilosas.

De acordo com mensagens interceptadas pela Polícia Federal, Vorcaro conversava com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, responsável por ações de monitoramento e coleta de dados.

Em uma das trocas de mensagens, Mourão pergunta:
“Esse Lauro Jardim bate cartão todo domingo? Hrs hein. Lanço uma nova sua? Positiva”.

“Sim”, respondeu Vorcaro.

Na sequência, Mourão escreveu: “Cara escroto”.

Vorcaro então afirmou:
“Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”.

Mourão respondeu: “Vou fazer isto.”

Em outro trecho da conversa, o banqueiro afirma:
“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.

PF aponta que Vorcaro planejou agressão a Lauro Jardim em “assalto” forjado

Segundo a decisão do ministro André Mendonça, Mourão reagiu com dois símbolos de aprovação à mensagem em que Vorcaro fala em “quebrar todos os dentes” do jornalista. Em seguida, escreveu: “Estamos em cima de todos os links negativos vamos derrubar todos e vamos soltar positivas”.

Ainda na conversa, Mourão questiona a ordem: “Pode? Vou olhar isso…”.

Vorcaro responde: “Sim”.

Na decisão que autorizou a prisão, Mendonça afirma que as mensagens indicam intenção de agressão contra o jornalista após a publicação de reportagens consideradas contrárias aos interesses do banqueiro.

“A partir de todos esses diálogos verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”, escreveu o ministro.

Segundo a investigação, Mourão integrava o grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, descrito na decisão como estrutura usada para obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado.

Em nota, o jornal O Globo repudiou as ameaças contra o colunista Lauro Jardim. A empresa afirmou que as ações planejadas tinham o objetivo de “calar a voz da imprensa”.

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