Querem o retorno do financiamento privado, sem abrir mão do público? - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Querem o retorno do financiamento privado, sem abrir mão do público?

Silvinho defende retorno do financiamento privado, sem abrir mão do público
Reprodução/Redes Sociais

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Por Claudio Dantas

Silvio Costa Filho, o ministro do Republicanos no governo Lula, defendeu na noite de ontem, em jantar que reuniu empresários e advogados de esquerda, a volta do financiamento privado das campanhas no Brasil. Segundo ele, o debate precisar ser feito “urgentemente”.

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“Acho que a gente deveria retomar o financiamento privado no processo eleitoral do Brasil. Naturalmente dentro de um limite, de maneira proba e transparente, porque eu acho que dessa forma o setor produtivo brasileiro pode contribuir ainda mais com o processo político e com o fortalecimento da democracia”, disse, segundo relato do Poder360.

O financiamento de empresas foi proibido pelo STF em 2015, assim que a Lava Jato começou a expor as relações promíscuas envolvendo autoridades e empresários, que se locupletaram em contratos superfaturados da Petrobras e outras estatais e fundos de pensão. Descobriu-se que propinas eram pagas, não só no caixa 2, mas no caixa 1.

O Congresso, então, aprovou o financiamento público de campanhas, criando o Fundão Eleitoral, que hoje bate os R$ 5 bilhões.

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O financiamento público sempre foi uma pauta defendida pelo PT e outras legendas de esquerda, sendo abraçado pelo Centrão. Tornou-se uma ferramenta potente nas mãos dos caciques eleitorais, que escolhem qual candidato deve receber mais recursos para se eleger; normalmente puxadores de voto, como influenciadores, celebridades etc.

Na prática, transformou eleições em num vale tudo para ampliar bancadas e, assim, receber valores cada vez maiores do fundão. O curioso é que o atual debate sobre o retorno do financiamento privado não considera encerrar ou reduzir o financiamento público, nem estabelecer regras de distribuição desses recursos, de maneira a democratizar  o acesso à política.

Ao invés de discutirmos campanhas mais baratas, o que se vê é o oposto; uma fome ainda maior por dinheiro, de todas as fontes possíveis. A democracia, Silvinho, se fortalece com a liberdade de escolha. Isso pressupõe que cada cidadão ou empresa seja livre para bancar a campanha de quem quiser.

Isso pressupõe a volta do financiamento privado, sim, mas com o imediato encerramento do financiamento público e de seu ignóbil Fundão Eleitoral.

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