O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, afirmou nesta sexta-feira (11) que os mecanismos de alerta contra fraudes em descontos associativos no INSS foram “desligados” no início do governo Lula, em 2023 e 2024. Segundo ele, sinais internos que deveriam acionar a pasta foram neutralizados dentro do próprio Instituto, impedindo que os indícios de irregularidades chegassem ao ministério.
“Os alarmes foram desligados em 2023 e 2024. Os alarmes foram desligados. O que significa isso? Que os pontos de atenção que poderiam dar o alarme para o ministério [da Previdência] foram propositalmente neutralizados. São pessoas, mas não vou dizer quem são as pessoas”, afirmou o ministro durante sabatina no 20º Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). Ele acrescentou que os responsáveis eram de dentro do INSS.
Wolney Queiroz, que assumiu a pasta em maio, buscou blindar o Ministério da Previdência da responsabilidade pelas fraudes, argumentando que a pasta não foi informada pelos órgãos internos do Instituto sobre os indícios. Ele reforçou que o INSS possui corregedoria, ouvidoria, auditoria e controle interno próprios, com autonomia em relação ao ministério, e que as informações sobre fraude “não chegavam”.
Apesar de reconhecer a neutralização dos “alarmes” internos durante os anos iniciais do atual governo, o ministro reforçou a linha do Palácio do Planalto de que as fraudes tiveram início antes, em 2019, durante o governo Jair Bolsonaro, e que a atual gestão foi a responsável por descobrir o esquema.
Ele ressaltou que “o estado brasileiro falhou” nesse período, quando o sistema que funcionava bem desde 1991 começou a apresentar falhas, com o surgimento de entidades com “finalidade exclusiva de fraude”, permitindo que o “ladrão entrasse em casa”.
Sobre os responsáveis no INSS por “desligar” os mecanismos de controle, o ministro indicou haver “cinco ou seis servidores de carreira” entre os envolvidos e mencionou o então procurador-geral do INSS, Virgílio Filho, e o ex-diretor de benefícios do órgão, Vanderlei Barbosa dos Santos. Ambos foram afastados após a deflagração da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes bilionárias.
Queiroz avaliou que Virgílio Filho e Vanderlei Barbosa dos Santos, que seriam “pontos-chaves do INSS que precisavam dar esses alertas”, devem ser intimados para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará as fraudes. A expectativa é que a CPMI inicie os trabalhos no segundo semestre sob a presidência do senador Omar Aziz (AM), sendo uma oportunidade para o governo “virar a chave” e reforçar seu papel no desmantelamento dos esquemas.
Questionado sobre o Projeto de Lei 1846/2025, que propõe o fim dos descontos automáticos em folha para associações e sindicatos, o ministro informou que não há consenso dentro do governo, com divergências entre ministros, já que a medida poderia asfixiar entidades idôneas.
