Ex-ministro da Saúde criticou as PDPs e demora da Biomm na produção de insulina
Durante participação no ALive desta quinta-feira (29), o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga comentou os investimentos dos governos petistas na Biomm, que tem como principal acionista o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Em 2013, sob o governo Dilma, o Ministério da Saúde, em parceria com a Fiocruz e o BNDES, anunciou investimento de cerca de R$ 430 milhões em 5 anos na Biomm, com a promessa de retomar a produção de insulina no Brasil.
No entanto, apenas em 2024 foi inaugurada a unidade de produção de insulina glargina. Em 2025, a Biomm fechou ao menos R$ 303 milhões em contratos com o governo Lula para fornecer insulina ao Ministério da Saúde.
O avanço foi possível após a empresa firmar uma PDP (Parceria para o Desenvolvimento Produtivo) com a pasta, que garante a compra da produção, reduzindo quase a zero o risco da companhia.
Queiroga criticou a demora da empresa no desenvolvimento do insumo. Segundo ele, quando o produto “chegar na fase da estatal produzir”, “a insulina aí já vai ter uma insulina mais moderna e essa insulina [da Biomm] vai pra lata do lixo”.
De acordo com o ex-ministro, a “política de desenvolvimento do complexo industrial” é “absolutamente equivocada”. Ele também criticou as PDPs, que, segundo ele, “se estabelecem numa cota do produto que vai ser comprado e essa cota é adquirida sem licitação e quando começa a utilizar o produto, naturalmente que aumenta o uso, aumenta a frequência de utilização e essa gente tem elementos de pressão sobre o governo, eles querem continuar vendendo pelo preço da transferência de tecnologia que a gente não sabe ao certo qual é”.
“Como o Alckmin disse: ‘eles querem voltar à cena do crime’. Isso é um setor muito complexo, tem um ecossistema”.
“Infelizmente o ecossistema da saúde também tem uma pilantragem elevada à quinta potência que nós precisamos, se nós queremos realmente desenvolver o complexo industrial da saúde, fomentar a indústria farmacêutica privada para que o Brasil realmente vire um país de ponta em pesquisa, desenvolvimento e produção, não pode ser e não deve ser com essas PDPs”, completou.
