PT avalia acionar STF contra PL da Dosimetria após derrota no Congresso
Brasília, Quarta, 17 de junho de 2026
Política

PT avalia acionar STF contra PL da Dosimetria após derrota no Congresso

Partido aponta possível inconstitucionalidade em manobra de Alcolumbre

Líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

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Por Redação

Após a derrubada do veto do presidente Lula (PT) ao PL da Dosimetria, o Partido dos Trabalhadores passou a discutir uma ofensiva no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar barrar os efeitos da proposta aprovada pelo Congresso Nacional.

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O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou nesta quinta-feira (30) que a sigla vê indícios de inconstitucionalidade no texto e já considera a possibilidade de judicialização. Segundo ele, o principal ponto de contestação é a aplicação retroativa das novas regras a casos já julgados.

“Se houve julgamento com amplo direito de defesa e decisão definitiva do Supremo, como é possível retroagir? Nossa leitura é de que há inconstitucionalidade, e estamos avaliando a judicialização”, disse o parlamentar a jornalistas.

A movimentação ocorre após o Congresso reverter o veto presidencial ao projeto, que altera critérios de cálculo de penas e pode reduzir punições aplicadas a condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo, em tese, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Além da questão jurídica, o PT também levanta dúvidas sobre o rito de tramitação da proposta. Uczai citou como exemplo a inclusão de mudanças no Senado que, na avaliação do partido, deveriam ter levado o texto de volta à Câmara dos Deputados para nova análise.

“Vamos judicializar. Temos argumentos”, reforçou o líder petista, ao mencionar tanto aspectos constitucionais quanto possíveis falhas regimentais durante a tramitação.

Entre os pontos centrais do projeto está a mudança no tratamento de crimes contra o Estado Democrático de Direito. Pela regra atual, condenações por abolição violenta do Estado democrático e por tentativa de golpe de Estado podem ser somadas. O novo texto prevê a aplicação do concurso formal, permitindo que apenas a pena mais grave seja considerada, o que pode reduzir o tempo total de prisão.

O projeto também flexibiliza critérios para progressão de regime, encurtando o período mínimo de cumprimento de pena em regime fechado.

Ao vetar integralmente a proposta no início do ano, o governo argumentou que a redução de punições para esse tipo de crime poderia representar um retrocesso institucional. Na justificativa, o Planalto afirmou que a medida enfraqueceria a resposta penal a ataques contra a democracia e contrariaria fundamentos constitucionais.

A derrubada do veto, com ampla maioria no Congresso, representou mais uma derrota política para o governo, um dia após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF.

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