"Um camaleão", diz Marinho sobre Lula afirmar que nunca foi esquerdista
Brasília, Quarta, 17 de junho de 2026
Política

“Um camaleão”, diz Marinho sobre Lula afirmar que nunca foi esquerdista

Líder da oposição no Senado critica posicionamento internacional do presidente e acusa governo de priorizar alinhamentos ideológicos

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), reagiu hoje (17) à declaração do presidente Lula durante a cúpula do G7, na França, de que “nunca foi esquerdista”. Ao comentar a fala, o senador afirmou que o presidente altera seu discurso de acordo com o contexto político e criticou a condução da política externa do governo.

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“Eu não sabia disso. Ele falou. Bom, ele é um camaleão. O que ele fala, ele muda de acordo com a circunstância. Eu não sabia disso. Para mim, realmente, é mais uma surpresa.”

A declaração foi dada durante encontro promovido pelo Instituto Livre Mercado com jornalistas. Lula havia afirmado mais cedo, em conversa com a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão Friedrich Merz, que nunca se considerou um político de esquerda.

Marinho disse que a declaração o surpreendeu, mas afirmou que mudanças de posicionamento do presidente não são novidade.

“Mas surpresa de Lula acontece toda hora e sempre negativa.”

Crítica à política externa

Durante a conversa, o senador também criticou o posicionamento internacional adotado pelo governo brasileiro e defendeu uma atuação baseada em interesses nacionais.

Segundo ele, o Brasil deveria manter relações com diferentes blocos econômicos e políticos sem adotar alinhamentos automáticos.

“Eu acho que o Brasil, dentro dessa conjuntura mundial, precisa defender os seus interesses. Não tem alinhamento automático com quem quer que seja.”

Marinho afirmou que o cenário internacional atual oferece oportunidades econômicas e estratégicas para o país, mas que essas oportunidades dependem da forma como o governo conduz suas relações diplomáticas.

Relação com os Estados Unidos

Ao comentar a política externa do governo Lula, o líder da oposição destacou a importância da relação histórica entre Brasil e Estados Unidos.

“Nós temos um aliado tradicional, que é os Estados Unidos, que é aquele país que mais investe no Brasil, tem 200 anos de relação comercial conosco, tem o maior número de empresas estrangeiras aqui dentro.”

Segundo o senador, o Brasil não precisa adotar posições hostis contra determinados países para manter relações com outros parceiros internacionais.

“Não precisamos ser hostis com um país para sermos afinados ideologicamente com o outro.”

Para Marinho, a política externa brasileira deve buscar equilíbrio nas relações internacionais e priorizar interesses econômicos, comerciais e estratégicos.

Defesa de relações pragmáticas

O parlamentar afirmou que o governo brasileiro pode manter diálogo com diferentes potências globais, desde que o interesse nacional seja o principal critério das decisões.

“O governo pode ter relação com China, pode ter relação com Rússia, pode ter relação com os Estados Unidos, com a Europa, com a Ásia, com a África, desde que o interesse principal seja do Brasil.”

Ao encerrar a avaliação, Rogério Marinho afirmou que não vê esse comportamento na atual administração federal.

“Não é assim que o Lula tem se comportado, infelizmente.”

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