O vice-presidente do PT, Washington Quaquá, defende que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), seja o vice na chapa de Lula para 2026. A articulação pode jogar Geraldo Alckmin (PSB) para escanteio e atrair o PSD e o MDB para o projeto petista, segundo apuração feita pelo O Globo.
“A gente isolaria o bolsonarismo no Rio, que é um estado central para a direita. Se a gente enfraquece o grupo de Jair Bolsonaro aqui, será uma vitória. Paes é um nome querido no Rio, ajuda, jovem, agrega à chapa. Tem que fazer uma operação no PSD com o Kassab e de quebra traria o MDB”, declarou Quaquá.
Paes, no entanto, é apontado como favorito para disputar o governo do estado. Segundo pesquisa Quaest, ele lidera a corrida com folga. A candidatura forçaria sua renúncia à prefeitura em março de 2026, mas ele já trabalha para ampliar sua base no interior.
O atual governador, Cláudio Castro (PL), não pode buscar reeleição e disputará uma das cadeiras no Senado, deixando o governo nas mãos do vice, Thiago Pampolha (MDB). Quaquá aposta que, sem Paes na disputa, Pampolha teria o apoio de Lula e do PT. O MDB, por sua vez, quer a vaga de vice de Lula com nomes como Renan Filho (Transportes), Simone Tebet (Planejamento) ou Helder Barbalho (governador do Pará).
Quaquá também tenta negociar com a base de Cláudio Castro, sugerindo que o governador concorra ao Senado por fora do PL. O PT, por sua vez, indicaria um segundo nome ao Senado, com Fabiano Horta e Benedita da Silva entre os cotados.
O MDB dominou o Rio entre 2003 e 2018, mas perdeu força após a Lava Jato. Pampolha, de 37 anos, tem sido prestigiado por lideranças nacionais da legenda e manteve boa relação com Paes, a quem apoiou em 2024 contra Alexandre Ramagem (PL), o nome de Bolsonaro.
Para Quaquá, se o PT conseguir atrair Paes e Pampolha para seu lado, o MDB não teria escolha a não ser formalizar apoio a Lula.
A equação é complexa. O governador Cláudio Castro quer Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Alerj, como seu sucessor. Mas Bacellar quer assumir o governo já em 2025, o que forçaria Pampolha a renunciar. Até agora, Pampolha resiste.
A estratégia de Quaquá também depende de Kassab topar levar o PSD para a chapa de Lula, o que é improvável. O partido se aliou ao PT na reeleição de Dilma Rousseff em 2014, mas rompeu para apoiar o impeachment. Kassab também é um dos nomes fortes do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo e cotado como herdeiro do espólio de Bolsonaro.
O MDB pode optar por neutralidade no primeiro turno, apostando que sua bancada será crucial para o próximo governo, seja Lula ou outro nome. Sem unidade, o partido pode ser apenas um espectador da disputa de 2026.
