Centrais sindicais farão protesto nacional para pressionar BC a baixar juros
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Centrais sindicais farão protesto nacional para pressionar BC a baixar juros

Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) Foto: Reprodução
Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) Foto: Reprodução

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Por Redação

CUT anuncia atos em 9 de dezembro, durante reunião do Copom

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, informou nesta quarta-feira (26) que as centrais sindicais irão organizar um protesto simultâneo em frente às sedes do Banco Central em todo o país no dia 9 de dezembro, data em que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicia a reunião que atualizará a taxa básica de juros.

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A manifestação tem como objetivo pressionar o colegiado a reduzir a Selic, hoje em 15% ao ano, patamar que, segundo as centrais e integrantes do governo, está desalinhado da dinâmica atual da inflação. Projeções do mercado, no entanto, apontam para a manutenção da taxa.

O anúncio foi feito por Nobre durante cerimônia no Palácio do Planalto, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil. Ao discursar, o líder sindical classificou o nível dos juros como “escorchante” e acusou o Banco Central de frear a atividade econômica.

“Vamos ocupar as portas das sedes do Banco Central para exigir a queda imediata da taxa de juros. Há um descompasso enorme entre a taxa praticada e a inflação, reconhecido até por economistas de direita. Queremos que o BC pare de sabotar o crescimento do país e a geração de empregos”, disse.

Presidente da República Lula, durante a cerimônia de sanção da isenção de IR Foto: Ricardo Stuckert/ PR
Presidente da República Lula, durante a cerimônia de sanção da isenção de IR Foto: Ricardo Stuckert/ PR

A crítica atinge diretamente o presidente do BC, Gabriel Galípolo, que entrou na mira do governo após o Copom manter a Selic em 15% na última reunião. Indicado ao cargo pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Galípolo tem recebido cobranças públicas de ex-aliados.

O próprio ministro afirmou recentemente que “há espaço para corte” e que não é possível “sustentar juro real de 10% com inflação de 4,5%”.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também reforçou o tom e disse que Galípolo “deixou a desejar” ao não apoiar uma redução na taxa.

Apesar das críticas, integrantes do governo reconhecem que, como diretor do Copom antes de assumir a presidência do BC, Galípolo sempre atuou de forma técnica.

A expectativa, porém, era que, ao assumir o comando da instituição, ele pudesse conduzir a política monetária de forma minimamente alinhada ao projeto econômico defendido pelo PT, acelerando o ciclo de cortes.

Com o Copom sinalizando que os juros devem permanecer em 15% “por um período prolongado”, o Planalto tenta administrar o desgaste interno e evitar uma confrontação direta com o presidente do Banco Central, chamado por Lula de “menino de ouro” no período em que foi indicado.

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