Programa Nuclear do Irã: entenda o principal alvo do ataque de Israel - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Programa Nuclear do Irã: entenda o principal alvo do ataque de Israel

Imagens aéreas da instalação de Natanz, localizada no deserto

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Por Isac Mascarenhas

O país tem urânio o suficiente para nove bombas nucleares, diz Netanyahu

Na madrugada desta sexta-feira (13), Israel lançou ataques significativos contra o Irã, resultando na morte de militares de alto escalão e dois cientistas nucleares do país. De acordo com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, a principal instalação de enriquecimento de urânio, em Natanz, também foi atingida. Netanyahu sinalizou o principal objetivo de Israel: destruir o coração do programa nuclear iraniano.

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Lançado com fins pacíficos na década de 1950, com a ajuda dos Estados Unidos, o programa nuclear iraniano ganhou perfil militar após a Revolução Islâmica em 1979. Sua infraestrutura possui centros de pesquisa, mina de urânio, reator nuclear e instalações de processamento e enriquecimento. A instalação de Natanz é crucial, pois é onde o Irã produziu a grande maioria de seu combustível nuclear, o que tem colocado o país no limiar da capacidade de construir armas nucleares.

Até o momento, não há relatos confirmando se a outra grande instalação de enriquecimento do Irã, conhecida como Fordow, também foi alvo. Fordow representa um desafio muito maior, pois está enterrada sob uma montanha, projetada especificamente para permanecer fora do alcance de ataques.

Histórico de ataques

Este não é o primeiro ataque de Israel contra o Irã. Em 2009, os israelenses hackearam o sistema eletrônico do programa iraniano, instalando um malware que resultou na destruição de máquinas de enriquecimento de urânio.

Ao longo de quase 20 anos, Israel e os EUA têm focado nas milhares de centrífugas que operam dentro da instalação de Natanz, na esperança de sufocar a produção do ingrediente-chave necessário para a construção de um arsenal nuclear. Nesse período, foram destruídas fábricas que produziam peças críticas para as centrífugas e ocorreram assassinatos de cientistas considerados essenciais para a operação.

Quebra do acordo de não produção de bombas

Embora o Irã seja signatário, assim como o Brasil, do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, há diversos indícios coletados pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de que o país já possui estoques de urânio a 87%, percentual bem próximo aos 90% usado em bombas atômicas.

Outro acordo, o JCPOA, foi assinado em 2015 por diversos países e desacelerou a produção nuclear em Natanz. Esse acordo limitava o nível de enriquecimento a um patamar útil para gerar energia nuclear, mas insuficiente para fabricar uma bomba. Três anos depois, Donald Trump retirou os EUA do acordo, classificando-o como “um desastre”. Em resposta, o Irã também abandonou o documento e acelerou a instalação de máquinas e a produção de urânio em um nível necessário para bombas.

Inspeções sigilosas da AIEA também indicaram aumento significativo dos estoques de urânio a 60% – o limite para fins pacíficos é de 20%. Apesar dos reiterados questionamentos da comunidade internacional, o regime de Khamenei tem se furtado a dar explicações e tampouco concorda com inspeções oficiais da agência.

Na manhã de sexta-feira em Israel, Netanyahu utilizou o progresso recente do Irã para argumentar que o país agora possui combustível suficiente para nove armas e que poderia “transformar esse combustível em arma” dentro de um ano. Ele defendeu que o risco para Israel de não agir era excessivamente alto.

Fábrica abaixo da montanha 

Ainda não se sabe a extensão total dos danos causados pelos ataques. Contudo, a imprensa iraniana afirma que parte da área externa de Natanz foi destruída. As centrífugas usadas para enriquecer urânio estão localizadas a 45 metros abaixo do nível do deserto e protegidas por concreto altamente reforçado. A questão crucial, portanto, é se as centrífugas foram efetivamente destruídas.

Os ataques de Israel foram além das instalações nucleares, buscando também “decapitar” tanto a liderança militar quanto a nuclear iraniana.

Permanece incerto se Israel fez alguma tentativa de atingir a instalação mais profunda: o centro de enriquecimento de Fordow, situado a quase 800 metros abaixo da superfície. Essa unidade abriga a maior capacidade de produção de armas e, caso não tenha sido destruída, o programa nuclear iraniano também não estará completamente comprometido.

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