A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciou nesta segunda-feira (19) que irá dissolver o Parlamento na próxima sexta-feira (23) e convocar eleições nacionais antecipadas para o dia 8 de fevereiro. O objetivo, segundo ela, é submeter ao julgamento direto dos eleitores seus planos de expansão fiscal e as diretrizes do novo governo.
Em coletiva de imprensa, Takaichi afirmou que a decisão representa um teste pessoal de liderança.
“Estou apostando meu próprio futuro político nesta eleição. Quero que o povo decida se confia a mim a gestão da nação”, declarou.
Entre as principais propostas apresentadas pela premiê está a suspensão, por dois anos, do imposto de 8% sobre o consumo de alimentos. Takaichi sustenta que a medida, combinada a um aumento dos gastos públicos, pode estimular a criação de empregos, impulsionar o consumo das famílias e ampliar a arrecadação em outras frentes.
A perspectiva de redução da carga tributária, no entanto, provocou reação imediata nos mercados. Estimativas do próprio governo indicam que o corte no imposto pode reduzir a receita anual em cerca de 5 trilhões de ienes (US$ 32 bilhões). Com isso, o rendimento dos títulos públicos japoneses de 10 anos alcançou o nível mais alto em 27 anos no início desta semana.
O pleito antecipado definirá as 465 cadeiras da Câmara Baixa e será o primeiro teste eleitoral de Takaichi desde que ela se tornou, em outubro, a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra no país. A convocação ocorre menos de três meses após sua posse e é vista como uma tentativa de consolidar o controle sobre o Partido Liberal Democrático (PLD) e reforçar a maioria da atual coalizão governista.
Aliados afirmam que a eleição também permitirá aos eleitores se manifestarem sobre a nova aliança do PLD com o Partido da Inovação do Japão (Ishin), de perfil conservador, após o rompimento com o antigo parceiro Komeito. Segundo dirigentes da sigla, o novo mandato serviria ainda para legitimar planos de estímulo econômico e o aumento dos investimentos em defesa, previstos na estratégia de segurança nacional revisada.
A disputa eleitoral ocorrerá em um contexto de forte pressão sobre o custo de vida. Pesquisa divulgada recentemente pela emissora pública NHK mostrou que 45% dos japoneses apontam a alta dos preços como sua principal preocupação, à frente de temas como diplomacia e segurança nacional.
O anúncio das eleições também ocorre em meio a tensões diplomáticas com a China, agravadas por declarações recentes de Takaichi sobre Taiwan, e às vésperas de uma visita planejada aos Estados Unidos, onde a premiê deve se reunir com o presidente Donald Trump na primavera.
Além disso, o calendário apertado pode dificultar a aprovação do orçamento de 2026 até o fim do atual ano fiscal, levando o governo a considerar a adoção de um plano de gastos provisório.
