IBC-Br do Banco Central mostra retração em todos os setores, com destaque para a agropecuária
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado nesta segunda-feira (17) pelo Banco Central (BC), apontou contração de 0,9% da economia brasileira no terceiro trimestre de 2025, em comparação com os três meses anteriores.
O resultado representa a primeira retração trimestral do país em dois anos.
O IBC-Br é considerado uma “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB) e integra estimativas sobre a agropecuária, indústria, serviços e impostos, embora não incorpore o lado da demanda, usado no cálculo oficial do IBGE. O resultado oficial do PIB do terceiro trimestre será divulgado em 4 de dezembro.
Desempenho setorial
Segundo o BC, a retração foi generalizada, com destaque para a agropecuária, que recuou 4,5%. A indústria caiu 1,0% e o setor de serviços apresentou leve queda de 0,3%. Em setembro, mês a mês, a agropecuária avançou 1,5%, enquanto indústria e serviços registraram pequenas quedas de 0,7% e 0,1%, respectivamente.
Na comparação anual, o IBC-Br subiu 2,0% em setembro de 2025 sobre o mesmo mês de 2024 e acumula alta de 3,0% em 12 meses. No acumulado do ano, até setembro, a expansão foi de 2,6%.
Cenário econômico e política monetária
A desaceleração da atividade ocorre em meio à manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, maior patamar em quase 20 anos. A autoridade monetária busca conter pressões inflacionárias e levar a inflação de volta à meta de 3% ao ano.
Em sua última ata, o BC ressaltou que a economia segue operando acima do potencial, o chamado hiato positivo, e que a moderação da atividade é compatível com as projeções de inflação.
De acordo com o Boletim Focus, a mediana das projeções dos economistas indica que o PIB deve crescer 2,16% em 2025, desacelerando frente ao avanço de 3,4% registrado em 2024. A expectativa para 2026 é de crescimento ainda mais modesto, de 1,78%.
