Selic congelada: BC aposta em juros altos para conter consumo e segurar inflação
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Selic congelada: BC aposta em juros altos para conter consumo e segurar inflação

A taxa Selic permanece em 15% ao ano, o nível mais alto em quase duas décadas.

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Por Redação

Copom vê inflação ainda pressionada, projeta corte apenas em 2026 e alerta para riscos da expansão fiscal

O Banco Central manteve nesta terça-feira (11) sua postura de recuo diante do cenário econômico, afirmando ter “maior convicção” de que a atual taxa de juros é suficiente para conter a inflação, mas sem sinalizar qualquer mudança no curto prazo.

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A taxa Selic permanece em 15% ao ano, o nível mais alto em quase duas décadas.

Segundo a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o órgão entende que a economia caminha conforme o esperado, com “moderação gradual da atividade” e uma leve melhora nas expectativas de inflação.

Ainda assim, o texto reforça que não há espaço para cortes prematuros. O BC reafirmou seu compromisso com a meta de 3% e advertiu que poderá retomar o ciclo de alta dos juros caso surjam novos riscos inflacionários.

“Mantém-se a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista por um período prolongado”, registrou o documento.

O discurso repete o tom firme que o presidente Roberto Campos Neto vem adotando desde o início de 2024: evitar qualquer sinal de complacência com o aumento de preços, mesmo sob críticas do governo e de setores empresariais que cobram alívio nos juros.

Roberto Campos Neto.  Presidente do Banco Central do Brasil (2019–2024)
Roberto Campos Neto. Presidente do Banco Central do Brasil (2019–2024). Foto: Cristiano Mariz

O Banco Central reconhece que a economia dá sinais de desaceleração, mas afirma que esse processo é parte da estratégia para conter a inflação.

Segundo a ata, o “hiato do produto” segue positivo, ou seja, a atividade ainda está acima do potencial de equilíbrio, o que justifica a manutenção da política monetária restritiva.

“Os dados mais recentes corroboram a redução gradual do crescimento”, diz o texto, destacando que eventuais sinais mistos são normais em momentos de inflexão do ciclo econômico.

O Copom informou que já incorporou às suas projeções os impactos da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda aprovada pelo Congresso.

A medida, que isenta rendas de até R$ 5 mil e reduz alíquotas para quem ganha até R$ 7,35 mil, deve gerar um estímulo ao consumo, com reflexos no PIB e, possivelmente, maior pressão inflacionária.

O BC avaliou o efeito como “incerto” e afirmou que adotará postura “dependente de dados”, evitando decisões antecipadas.

A autoridade monetária também destacou o aumento dos riscos fiscais, com a expansão dos gastos públicos e a indefinição sobre o equilíbrio das contas do governo.

O BC alerta que a política fiscal pode impactar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e elevar o prêmio de risco da curva de juros.

O cenário internacional, por sua vez, continua carregado de incertezas: a política comercial dos EUA, o “shutdown” parcial do governo norte-americano e os juros altos no exterior obrigam o Copom a preservar “cautela máxima”.

Ainda assim, o Banco Central reconheceu melhora recente nas expectativas de inflação, com ajuda da valorização do real e da queda nos preços das commodities.

O recado da ata é claro: o BC não cederá à pressão do Planalto nem do mercado por cortes antecipados. O comitê afirma que seguirá vigilante e disposto a aumentar a taxa novamente se houver sinais de descontrole.

Com a Selic mantida e as expectativas ainda acima da meta, 4,55% para 2025 e 4,2% para 2026, a autoridade monetária mira agora no médio prazo: a convergência da inflação até 2027, dentro da nova meta contínua de 3%.

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