O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou nessa quinta-feira (6) que há uma crescente pressão dentro do partido para que a sigla se distancie formalmente do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de ser o PP comandar o Ministério do Esporte, Nogueira insistiu que a legenda nunca tomou a decisão de integrar a base governista.
“Tem aumentado muito a pressão dentro do nosso partido, não digo nem desembarcar do governo, porque nós nunca entramos. O PP como partido político nunca tomou a decisão de apoiar esse governo, de indicar alguém nesse governo. Tem um ministro do partido, uma figura muito querida por todos nós, que tomou a decisão de aceitar um convite pessoal do presidente”, declarou o senador em entrevista à GloboNews.
Caso o PP decida formalizar seu afastamento do governo, Fufuca deverá deixar o cargo, que antes era ocupado por Ana Moser. Segundo Nogueira, a questão será tratada após o carnaval.
“Não vou negar que ultimamente, por mais que deixássemos isso de lado, tenha criado um certo constrangimento dentro do partido essa situação. Existe uma pressão da bancada para que eu reúna o partido e tome essa decisão. Mas após o carnaval, eu vou conversar com algumas lideranças, ouvir os líderes da Câmara, do Senado, o presidente Arthur Lira (PP-AL), que é uma figura muito querida e respeitada do partido”, afirmou.
Relação do PP com o governo
Fufuca assumiu o ministério em 2023, quando Lula ampliou o espaço do Centrão no governo, o que resultou na saída de Ana Moser. O episódio se somou a outras mudanças na Esplanada, como a troca de Daniela do Waguinho (Turismo), substituída por Celso Sabino (União Brasil-PA), e a de Nísia Trindade (Saúde), que deixou o cargo para a entrada de Alexandre Padilha.
Apesar do controle da pasta do Esporte, o PP mantém uma postura independente no Congresso. Arthur Lira, um dos principais líderes do partido, segue como peça-chave nas negociações políticas, enquanto Ciro Nogueira continua fazendo oposição ao governo Lula.
