Prefeito do RJ mantém demissão de Monique Medeiros após perdão concedido pela Justiça
Brasília, Sexta, 05 de junho de 2026
Política

Prefeito do RJ mantém demissão de Monique Medeiros após perdão concedido pela Justiça

Prefeito afirma que respeita a decisão judicial, mas considera incompatível o retorno da mãe de Henry Borel às salas de aula da rede municipal.

Foto: Brunno Dantas/TJRJ

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Por Redação

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), afirmou nesta quinta-feira (5) que manterá a demissão de Monique Medeiros dos quadros da rede municipal de ensino, mesmo após a Justiça conceder perdão judicial à mãe de Henry Borel no processo relacionado à morte do filho.

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Em publicação nas redes sociais, o prefeito declarou que recebeu a decisão com “certa perplexidade”, mas ressaltou que a determinação judicial será respeitada. Ao mesmo tempo, reforçou que a administração municipal não pretende reverter o desligamento da ex-servidora.

“Decisão judicial não se discute, se cumpre”, escreveu Cavaliere. “Independentemente disso, a decisão da Prefeitura do Rio de manter Monique Medeiros fora de seus quadros está integralmente mantida.”

O prefeito afirmou ainda que atuará para impedir qualquer tentativa de retorno da ex-professora à estrutura da prefeitura. Segundo ele, a medida busca preservar a segurança e a confiança da comunidade escolar.

“Não medirei esforços para garantir que esta ex-servidora jamais retorne aos quadros da Prefeitura”, declarou.

Monique era professora da rede municipal e estava afastada desde janeiro de 2023. O desligamento definitivo da Secretaria Municipal de Educação foi formalizado em março deste ano, conforme destacou o prefeito.

A manifestação ocorreu horas após o encerramento do julgamento que analisou a responsabilidade dos envolvidos na morte de Henry Borel, ocorrida em 2021. Durante a sessão, os jurados entenderam que Monique não agiu com intenção de matar o filho, o que levou à desclassificação da acusação de homicídio doloso para homicídio culposo.

Como o Tribunal do Júri julga apenas crimes dolosos contra a vida, a decisão sobre a responsabilização de Monique ficou a cargo da juíza Elizabeth Machado Louro. A magistrada condenou a ex-professora por homicídio culposo, mas extinguiu a punição por meio da concessão de perdão judicial.

Na sentença, a juíza argumentou que Monique enfrentou uma reação social desproporcional ao longo dos últimos anos e afirmou que ela foi submetida a um intenso julgamento público, marcado por cobranças associadas ao papel da maternidade.

“Incomensurável o sofrimento de quem, além de perder seu único filho para o que de resto não contribuiu intencionalmente, viu-se alvo durante cinco longos anos de uma perseguição implacável contra sua honra e sua autoestima como mãe”, afirmou a magistrada ao justificar a medida.

Com o perdão judicial, Monique deixou a prisão após a expedição do alvará de soltura. A pena aplicada pelo crime de omissão foi considerada cumprida em razão do período em que permaneceu presa preventivamente.

Já o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. A pena fixada pela Justiça foi de 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão.

Até o momento, a defesa de Monique não se manifestou sobre as declarações do prefeito. Após o julgamento, os advogados da ex-professora afirmaram que receberam a decisão com respeito e destacaram que o veredito foi fundamentado nas provas produzidas durante a instrução do processo.

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