Conservadores defendem prudência, serenidade e, no ocidente, valores judaico-cristãos que moldaram nossa civilização. Em um mundo que idolatra rupturas isso parece ser um crime imperdoável
Por Adolfo Sachida
Ontem, Charlie Kirk foi assassinado de maneira brutal e covarde. A forma como a grande imprensa brasileira noticiou o crime chama atenção: manchetes como “Influenciador de extrema direita, apoiador de Trump, é baleado” se multiplicaram. Não se tratou de uma escolha inocente. Ao destacar suas posições políticas e omitir a palavra assassinato, preferindo o termo neutro baleado, os jornais parecem insinuar que a vítima seria, de algum modo, culpada pela própria morte.
O padrão se repete. Nos últimos sete anos, ao menos dez líderes conservadores foram alvo de atentados: Jair Bolsonaro (Brasil), Donald Trump (EUA), Miguel Uribe (Colômbia), Francisco Villavicencio (Equador), Charlie Kirk (EUA), Shinzo Abe (Japão), Robert Fico (Eslováquia), Iván Duque (Colômbia), Andriy Parubiy (Ucrânia) e Alejo Vidal-Quadras (Espanha). Em todos esses casos, a imprensa adotou o mesmo enquadramento: extremista, ultradireitista, radical. Termos que não apenas desumanizam a vítima, como também transferem a ela parte da responsabilidade pela violência sofrida.
E não são apenas figuras públicas. Conservadores anônimos enfrentam agressões e perseguições em universidades, no ambiente de trabalho, nas escolas e até nas ruas. Se você é conservador, já sabe: há sempre alguém disposto a insultar, humilhar, agredir — e, em casos extremos, matar — pelo simples “crime” de defender suas ideias.
Toda vida humana tem valor infinito. Não se trata de dizer que a vida de uma pessoa vale mais que a de outra. Nosso Criador nos fez iguais, e toda vida importa. O ponto é outro: a cobertura enviesada da imprensa e a hostilidade de muitos intelectuais contra o pensamento conservador. Discordar de ideias é legítimo. O que assusta é ver esse ódio transbordar para as pessoas que as defendem, a ponto de se naturalizar o assassinato de um conservador como se fosse um desdobramento previsível ou até justificável.
Esse comportamento não é novo. Em 2017, quando universidades exibiram um documentário sobre Olavo de Carvalho, grupos organizados de esquerda se mobilizaram para censurá-lo. Não apenas tentaram proibir a exibição, como também ameaçaram e agrediram fisicamente quem ousasse assistir. E qual foi a reação da grande mídia? Silêncio. Nada se falou sobre a intolerância e a violência daquelas ações. Nenhuma punição foi aplicada. Era tudo reduzido a uma “simples divergência”. Mas se um dia os conservadores reagirem, não tenham dúvidas: os editoriais dos mesmos jornais não hesitarão em denunciar a “violência da extrema direita radical”. Para eles, nosso único direito parece ser apanhar — e, se preciso, morrer — em silêncio.
Resta então a pergunta: por quê? Por que tanto ódio?
O conservadorismo parte de uma premissa simples: o ser humano é imperfeito, logo toda criação humana também é imperfeita. Por isso, prudência e serenidade devem ser guias da vida pública. Que radicalismo há nisso? Nenhum. Mas é justamente essa simplicidade que incomoda os progressistas. Enquanto intelectuais, do alto de suas torres de marfim, clamam por revoluções e rupturas, o conservador resiste às promessas de grandes sacrifícios no presente em nome de benefícios incertos no futuro.
Confundem nossa prudência com covardia, nossa serenidade com fraqueza. Esquecem que revoluções raramente trazem ordem e prosperidade. Mais frequentemente abrem as portas para arbitrariedades, violência e derramamento de sangue, deixando países em situação ainda pior do que se encontravam antes. Talvez aí esteja a raiz do ódio: conservadores defendem prudência, serenidade e, no ocidente, valores judaico-cristãos que moldaram a civilização ocidental. Em um mundo que idolatra rupturas e despreza tradições, isso parece ser um crime imperdoável.
*: que Deus em sua infinita sabedoria e misericórdia abençoe e proteja todos os familiares de Charlie Kirk nesse momento de profunda tristeza. Descanse em paz você cumpriu as palavras de Santo Agostinho: se a morte não te encontrar como vencedor que ao menos te encontre como lutador. Deus o abençoe.
Adolfo Sachida foi ministro de Minas e Energia; ex-Secretário de Política Econômica. Tem doutorado em Economia e também é advogado.
